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O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a atuação do Brasil no combate ao crime organizado. Em um decreto divulgado nesta quarta-feira (16), a Casa Branca afirmou que o governo brasileiro não teria adotado medidas suficientes contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Apesar das críticas, o Brasil não foi incluído na relação dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas elaborada pelo governo norte-americano.

No documento assinado por Trump, os Estados Unidos afirmam que as duas facções brasileiras, classificadas pelo governo norte-americano como organizações terroristas estrangeiras, contribuíram para transformar o país em um centro de distribuição de cocaína em escala global.

Segundo o decreto, enquanto outros governos do continente adotam ações para conter o tráfico de drogas e combater organizações criminosas, o governo brasileiro teria falhado no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho.

A Casa Branca também defendeu que o Brasil adote medidas mais firmes e urgentes contra as duas organizações. O texto afirma que os grupos representam, na avaliação do governo norte-americano, uma ameaça crescente à segurança internacional.

PCC e Comando Vermelho foram classificados como terroristas pelos EUA

Em junho deste ano, o governo Trump incluiu o PCC e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras dos Estados Unidos.

A decisão provocou reação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se posicionou contra a classificação. A administração brasileira manifestou preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional e com a possibilidade de medidas unilaterais dos Estados Unidos relacionadas ao combate às facções.

A medida, por outro lado, recebeu apoio de setores da oposição brasileira. O senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como um dos principais opositores de Lula na disputa presidencial de 2026, havia defendido a classificação dos grupos durante uma viagem a Washington, em maio, quando também teria feito um pedido diretamente ao governo Trump.

Países citados pelos Estados Unidos

O decreto norte-americano relaciona como principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela, além de Mianmar.

Mesmo fora dessa relação, o Brasil aparece no documento em razão das críticas direcionadas às organizações criminosas que atuam no país.

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