
A menos de duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enfrenta novos questionamentos das campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os principais episódios estão a disputa judicial envolvendo o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e a falha técnica que deixou sem áudio uma propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro exibida na segunda-feira (12/10).
Após o problema na transmissão, o candidato do PL questionou publicamente se a falha teria sido acidental, mas não apresentou provas de interferência política. O TSE atribuiu o episódio a um problema técnico no processamento dos arquivos de mídia.
Lula, por sua vez, criticou a decisão inicial do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, de suspender o canal administrado por Janones. O presidente defendeu que a Justiça Eleitoral mantenha tratamento igualitário entre os candidatos.
Canal de WhatsApp provoca divergência entre ministros
O canal “Exército do Lula” foi suspenso no domingo (11) por determinação de Nunes Marques, após um pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu seu funcionamento e encaminhou a controvérsia ao plenário do TSE.
A divergência ocorreu porque o pedido de suspensão já estava sendo analisado por Cueva em uma ação de investigação judicial eleitoral. O corregedor havia solicitado a complementação das provas antes que a campanha de Flávio apresentasse um novo requerimento à Presidência da Corte.
Uma análise técnica do TSE não identificou, entre os dias 2 e 11 de outubro, as publicações falsas específicas apontadas pela campanha do PL. Entretanto, o relatório encontrou indícios de atuação coordenada para ampliar a circulação de conteúdos digitais e destacou que mensagens apagadas impedem uma avaliação definitiva do histórico do canal.
A campanha de Flávio também utiliza uma estrutura semelhante. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) criou o canal “Tropa do Flávio”, que alcançou aproximadamente 1,4 milhão de seguidores.
Em outra decisão, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que Flávio e aliados retirassem das redes sociais um vídeo que associava uma manifestante aparentemente utilizando drogas a um ato de apoio a Lula na Avenida Paulista.
Segundo a decisão, as imagens haviam sido registradas em um protesto no Chile. O magistrado considerou que houve manipulação por descontextualização, capaz de induzir o público a uma interpretação incorreta dos acontecimentos.
TSE confirma falha técnica em propaganda de Flávio
A propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro exibida por volta das 13h de segunda-feira foi transmitida com imagens, mas sem áudio. O programa de Lula, apresentado em seguida, não sofreu o mesmo problema.
Flávio questionou a ocorrência nas redes sociais e sugeriu a possibilidade de uma interferência intencional. Entretanto, não foram apresentados elementos que relacionassem o governo federal ou a campanha petista à falha.
O TSE informou que, durante a finalização dos programas, os arquivos de áudio das duas campanhas não foram carregados corretamente. O problema foi solucionado antes da exibição da propaganda de Lula.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (Astral) afirmaram que o material encaminhado pela campanha de Flávio estava em condições adequadas e que o erro ocorreu durante o processamento da mídia.
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) também negou participação na falha. Em nota, a estatal esclareceu que a operação de distribuição da propaganda eleitoral é responsabilidade de um conjunto de emissoras, denominado pool, e que não possui acesso antecipado aos arquivos enviados pelas campanhas.
O TSE informou que o programa de Flávio será reexibido e que a ocorrência permanece sob apuração para esclarecer as circunstâncias do erro.







