
O Governo do Amazonas divulgou nesta quinta-feira (16) um balanço atualizado sobre o vazamento de monômero de estireno ocorrido no Distrito Industrial I, na zona Sul de Manaus, revelando que 149 pessoas precisaram de atendimento médico, oito permanecem internadas e uma morte registrada após o incidente não teve relação direta com a exposição ao produto químico, segundo avaliação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).
Mesmo com o vazamento controlado ainda na quarta-feira (15), uma força-tarefa envolvendo órgãos da Segurança Pública, Saúde, Meio Ambiente e Defesa Civil permanece mobilizada para evitar novos riscos e monitorar as condições ambientais na região.
Bombeiros evitam risco de explosão
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informou que chegou ao local menos de sete minutos após ser acionado pela empresa e conseguiu controlar rapidamente o vazamento.
Desde então, as equipes mantêm o resfriamento contínuo do tanque onde ocorreu o superaquecimento, utilizando água na parte externa e equipamentos a laser para monitorar constantemente a temperatura interna do reservatório.
Segundo os bombeiros, o objetivo é impedir que o tanque volte a atingir níveis críticos de temperatura que possam provocar uma explosão.
Por medida preventiva, permanece isolado um raio de aproximadamente 300 metros ao redor da indústria. Uma nova avaliação será realizada nas próximas 24 horas para definir se as empresas vizinhas poderão retomar suas atividades.
Vapores perderam intensidade
O CBMAM informou que a situação evoluiu significativamente desde o início da ocorrência.
De acordo com os técnicos, cerca de 80% do material atualmente liberado pelo tanque é composto por partículas de água, resultado do intenso processo de resfriamento realizado desde quarta-feira.
Com isso, a concentração de estireno no vapor caiu de forma expressiva, reduzindo os riscos para trabalhadores e moradores da região.
Defesa Civil aponta qualidade do ar dentro dos parâmetros
As medições realizadas pela Defesa Civil nas empresas localizadas próximas ao local do acidente indicam que a qualidade do ar permanece dentro dos níveis considerados seguros.
Segundo o monitoramento, as concentrações registradas ficaram abaixo de 20 partes por milhão (ppm), sem alterações que indiquem agravamento das condições ambientais nas áreas avaliadas.
Apesar disso, as autoridades orientam que pessoas que apresentarem sintomas como irritação nos olhos, dor de garganta ou falta de ar procurem imediatamente uma unidade de saúde ou acionem o Samu pelo telefone 192.
Balanço da Saúde
A Secretaria de Estado de Saúde informou que 149 pacientes foram atendidos na rede estadual desde o início da ocorrência.
Os sintomas mais frequentes foram:
- Falta de ar;
- Náuseas;
- Dor de cabeça;
- Tontura;
- Desmaios.
Do total de atendimentos, 140 pessoas receberam alta médica, enquanto oito permanecem internadas sob observação.
A SES também confirmou a morte de um homem de 67 anos, morador do Centro de Manaus, que procurou atendimento após relatar mal-estar decorrente do odor do estireno.
Segundo a secretaria, o paciente apresentava doença respiratória crônica e já havia sido atendido anteriormente por dificuldades respiratórias. Após avaliação médica, não foi constatada relação direta entre o óbito e o vazamento químico.
Ipaam fiscaliza resposta da empresa
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) acompanha a execução do Plano de Ação de Emergência (PAE) adotado pela empresa responsável pelo vazamento.
Equipes de fiscalização permanecem monitorando as medidas de contenção para verificar se as ações são suficientes para minimizar possíveis impactos ambientais.
O órgão informou que a empresa possui Licença de Operação válida até outubro de 2026.
Polícia vai investigar causas do acidente
Após a liberação da área pelos bombeiros, a Polícia Civil e a Polícia Técnico-Científica realizarão perícia no local para identificar as causas do incidente e verificar eventuais responsabilidades.
A investigação deverá apontar o que provocou o superaquecimento do tanque e se houve falhas operacionais ou de segurança na unidade industrial.
Escolas seguem sem aulas
Como medida preventiva, o Governo do Amazonas decidiu manter suspensas nesta sexta-feira (17) as atividades em 12 escolas estaduais localizadas nas proximidades do Distrito Industrial.
As unidades afetadas são:
- Antônio Lucena Bittencourt;
- Antóvila Mourão Vieira;
- Bom Pastor;
- Olavo Bilac;
- São Luiz de Gonzaga;
- Marquês de Santa Cruz;
- Pedro Silvestre;
- Nossa Senhora da Glória;
- Antônio Bettencourt;
- Joana Rodrigues;
- Liberalina Weill;
- Governador Melo e Póvoas.
Já o PAC do Studio 5, que teve o atendimento interrompido nesta quinta-feira por recomendação dos órgãos de segurança, retomará o funcionamento normalmente nesta sexta-feira.
Enquanto isso, a força-tarefa estadual continuará monitorando o tanque e as condições ambientais até que seja descartado qualquer risco de um novo superaquecimento ou nova liberação significativa de vapores.







