
Um mês após os terremotos que devastaram parte da Venezuela, milhares de famílias ainda vivem sem respostas sobre o paradeiro de parentes desaparecidos. A tragédia, que atingiu principalmente a região de La Guaira no fim de junho, já deixou mais de 5 mil mortos e cerca de 50 mil desaparecidos, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU).
Entre os que aguardam notícias está Daniel Tovar, de 28 anos. O jovem procura pelo pai, Felix Tovar, de 70 anos, desaparecido desde os tremores. “Isso é uma evidência do tamanho da catástrofe. Até hoje, a gente não consegue localizar os familiares”, afirmou.
Os dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com intervalo de cerca de 40 segundos e provocaram destruição em La Guaira e em parte de Caracas. Um mês depois, equipes de resgate e autoridades seguem trabalhando na busca por desaparecidos, enquanto milhares de pessoas tentam reconstruir suas vidas.
Além das perdas humanas, os impactos da tragédia se estendem para áreas como saúde, educação e economia. Em artigo publicado pelo jornal El País, a jornalista Alejandra Oraa destaca que as consequências dos próximos meses e anos poderão afetar profundamente o futuro das vítimas, comprometendo a estabilidade financeira, a saúde mental e o acesso à educação.
Os danos materiais também são expressivos. Somente em La Guaira, mais de 250 edifícios desabaram completamente, enquanto diversos outros precisarão ser demolidos por causa dos danos estruturais. Os prejuízos atingem principalmente os setores de habitação, infraestrutura, comércio, transporte e logística.
As estimativas econômicas variam entre US$ 12 bilhões e US$ 19,6 bilhões. O economista Asdrúbal Oliveros calcula perdas entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões, enquanto o Banco Mundial projeta danos próximos de US$ 19,6 bilhões.
A operação de busca enfrentou grandes dificuldades desde os primeiros dias. Diversos países enviaram equipes de resgate e ajuda humanitária à Venezuela. O Brasil colaborou com equipes especializadas e cerca de seis toneladas de alimentos, medicamentos e outros insumos.
O tenente Ramatuel Silvino, da Defesa Civil de São Paulo, participou da missão brasileira e relatou que a falta de recursos e os danos provocados pelos próprios tremores dificultaram o trabalho. Segundo ele, dois dos cinco hospitais públicos de La Guaira deixaram de funcionar devido às rachaduras causadas pelos abalos.
“A sensação era de que estávamos em um cenário de guerra. Muita gente triste, muita gente ansiosa. Quando a gente encontrava um corpo, automaticamente encontrava outros, porque netos e avós morreram abraçados, por exemplo”, relatou.
As equipes internacionais permaneceram na Venezuela por 14 dias, prazo previsto nos protocolos da ONU para operações de busca com maiores chances de encontrar sobreviventes. Após esse período, a responsabilidade pela continuidade das ações passou a ser concentrada no governo venezuelano.
Em relatório divulgado nesta semana, a ONU alertou que o desastre agravou a crise humanitária já enfrentada pelo país e ressaltou a importância da participação da sociedade civil na recuperação das áreas atingidas. Para Ani Castrellón, coordenadora do Ponto de Cultura Sawubona e integrante da Rede Sem Fronteiras, a mobilização da população tem sido fundamental para enfrentar a tragédia.
Segundo ela, mesmo sem equipamentos ou treinamento especializado, moradores seguem atuando de forma voluntária, impulsionados pelo desejo de encontrar familiares, amigos e vizinhos desaparecidos.







