Manifestantes protestam pela renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em La Paz, Bolívia • Claudia Morales/Reuters

O vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, afirmou nesta terça-feira (19) estar “muito preocupado” com a escalada da crise política e dos protestos na Bolívia, onde manifestações contra medidas de austeridade vêm provocando instabilidade no país.

Segundo Landau, ele conversou diretamente com o presidente boliviano Rodrigo Paz e demonstrou preocupação com o avanço dos atos, que começaram no início de maio com greves e ganharam alcance nacional.

Os protestos reúnem sindicatos, mineiros, trabalhadores do transporte e grupos rurais que pressionam o governo a reverter medidas econômicas e enfrentar o aumento do custo de vida. Parte dos manifestantes também pede a renúncia do presidente.

EUA classificam situação como “golpe”

Durante conferência organizada pela Americas Society/Council of the Americas, Landau afirmou esperar que outros países sul-americanos se posicionem contra o que chamou de tentativa de golpe.

“Não se enganem sobre isso. Esse é um golpe que está sendo financiado por essa aliança profana entre a política e o crime organizado em toda a região”, declarou.

O representante norte-americano destacou que Rodrigo Paz foi eleito “de forma esmagadora” há menos de um ano e criticou os bloqueios promovidos por manifestantes nas ruas bolivianas.

Bancos fecham agências em La Paz

A tensão aumentou após diversos bancos bolivianos suspenderem temporariamente o funcionamento de agências em La Paz por motivos de segurança.

Os distúrbios ocorrem poucos meses após Rodrigo Paz assumir a presidência, em novembro, encerrando quase duas décadas de governos da esquerda no país.

Governo Trump acompanha situação

Landau afirmou que o governo de Donald Trump acompanha o cenário e trabalha para evitar que grupos “anti-institucionais” prevaleçam.

“Eu odiaria ver essa abertura tão promissora ir por água abaixo”, disse.

O vice-secretário também afirmou que a instabilidade política na Bolívia pode afetar toda a região.

“É ruim para todos os países das Américas ver esse tipo de incivilidade”, concluiu.

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