Por Luís Lemos: professor, filósofo e escritor
Dando continuidade à nossa série de entrevistas, apresentamos hoje a filósofa Rayane Helena. Natural de Itacoatiara (AM), ela descobriu ainda no Ensino Médio, inspirada por Sócrates, que a Filosofia poderia ser um caminho para compreender o mundo e transformar a realidade. Nesta entrevista exclusiva, a filósofa compartilha sua trajetória acadêmica, suas pesquisas voltadas ao Ensino de Filosofia e à filosofia antiga, além de refletir sobre a importância do pensamento crítico, do diálogo e da cidadania na educação contemporânea. Leia, reflita e inspire-se com mais uma voz fundamental da nossa Filosofia!
1. Quem é você? Conte-nos um pouco sobre sua história de vida, sua formação e sua trajetória na Filosofia. Em qual instituição e em que ano você se graduou em Filosofia?
Meu nome é Rayane Helena Costa Pinto e minha história com a Filosofia começou antes mesmo da universidade. Nasci em Itacoatiara, no interior do Amazonas, e, desde o Ensino Médio, descobri que havia algo profundamente fascinante na possibilidade de questionar o mundo. Foi nesse período que conheci Sócrates. Sua coragem em fazer perguntas, em desafiar certezas e em compreender a filosofia como um modo de vida despertou em mim uma inquietação que nunca mais cessou. Ao mesmo tempo, outra inspiração sempre esteve presente: minha madrinha, professora. Ainda criança, eu brincava de reproduzir suas aulas, sem imaginar que, anos depois, encontraria na docência a realização de um sonho construído desde a infância.
2. Como nasceu o seu interesse pela Filosofia? Houve algum acontecimento, professor, livro, experiência ou autor que tenha despertado em você o desejo de seguir esse caminho intelectual?
Movida por esse desejo, deixei minha cidade para cursar Filosofia na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), instituição à qual sou profundamente grata. No Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), encontrei um espaço de acolhimento, rigor acadêmico e crescimento intelectual que marcou definitivamente minha formação. Durante a graduação, participei do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), desenvolvi pesquisas de iniciação científica sobre diversidade sexual e de gênero nas escolas públicas e, posteriormente, sobre o pensamento de Anaximandro, além de atuar como monitora da disciplina de Metafísica. Essas experiências consolidaram minha convicção de que ensinar Filosofia é, antes de tudo, aprender continuamente com os estudantes e com a realidade que nos cerca. Atualmente, sou mestranda do PROF-FILO/UFAM, desenvolvendo uma pesquisa sobre A República, de Platão, como recurso didático-pedagógico para o Ensino Médio.
3. Você possui livros ou outras obras publicadas? Em caso afirmativo, apresente-os brevemente e conte-nos um pouco sobre os temas ou questões que eles abordam.
Minha produção acadêmica dialoga com duas grandes preocupações: o ensino de Filosofia e os desafios do mundo contemporâneo. Entre meus trabalhos publicados estão o ensaio Estamos no pan-óptico digital? Um ensaio sobre a vigilância digital, além de pesquisas sobre o uso de textos clássicos no Ensino Médio, argumentação filosófica, diversidade de gênero e sexualidade na escola e estudos sobre a filosofia antiga, especialmente Sócrates e Anaximandro.
4. Em sua opinião, quais são os maiores desafios enfrentados por quem escolhe a Filosofia como profissão, vocação ou modo de vida?
Escolher a Filosofia como profissão ainda significa enfrentar muitos desafios. Em uma sociedade marcada pela velocidade, pelo imediatismo e pela circulação constante de informações, o exercício da reflexão crítica nem sempre encontra espaço. Defender a presença da Filosofia na educação é reafirmar a importância do diálogo, da escuta, da argumentação e da formação de cidadãos capazes de pensar por si mesmos.
5. Que mensagem você gostaria de deixar aos leitores do portal Fato Amazônico, especialmente aos que ainda não tiveram a oportunidade de se aproximar da Filosofia?
Aos leitores do Fato Amazônico, deixo um convite: aproximem-se da Filosofia sem receio. Ela não pertence apenas às universidades ou aos livros clássicos; está presente nas decisões que tomamos, nas perguntas que fazemos e na maneira como compreendemos o outro e a nós mesmos. Filosofar é cultivar a curiosidade, reconhecer que nenhuma resposta é definitiva e manter vivo o desejo de compreender o mundo. Talvez seja essa a maior herança de Sócrates: ensinar-nos que uma boa pergunta pode transformar uma vida





