Na entrevista de hoje, apresentamos o professor e pesquisador Raimundo Barbosa da Silva, que há mais de três décadas dedica sua vida à educação pública de Manaus. Sua formação filosófica, iniciada durante sua trajetória seminarística na Congregação Salesiana, despertou e consolidou um profundo compromisso com a educação, o pensamento crítico e a formação humana. Nesta entrevista exclusiva, ele compartilha sua trajetória acadêmica e docente, apresenta aspectos de suas pesquisas inspiradas no pensamento de Immanuel Kant e reflete sobre os desafios da Filosofia na construção da autonomia intelectual e da cidadania em uma sociedade marcada pela desinformação e pela superficialidade do conhecimento. Leia, reflita e inspire-se em sua trajetória intelectual e de vida!
1. Quem é você? Conte-nos um pouco sobre sua história de vida, sua formação e sua trajetória na Filosofia. Em qual instituição e em que ano você se graduou em Filosofia?
Sou Raimundo Barbosa da Silva, 57 anos, casado e pai de três filhos. Natural da cidade de Manacapuru no Estado do Amazonas. No âmbito da docência, exerço a função de professor de Filosofia há trinta e três anos na rede pública de ensino, na cidade de Manaus. Minha trajetória pessoal e intelectual e meu primeiro contato sistemático com a Filosofia ocorreu durante minha formação seminarística na Congregação Salesiana, ambiente que despertou e consolidou meu interesse pela reflexão filosófica. A formação em Filosofia teve início no Centro de Estudos do Comportamento Humano (CENESCH), sendo posteriormente validada pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), onde concluí a graduação em 1998. Ao retornar a Manaus, especializei-me em Psicopedagogia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e, posteriormente, em Gestão Escolar pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Essa formação ampliou minha compreensão dos processos educacionais e foi decisiva para minha atuação como diretor de três escolas públicas de Manaus ao longo de onze anos.
2. Como nasceu o seu interesse pela Filosofia? Houve algum acontecimento, professor, livro, experiência ou autor que tenha despertado em você o desejo de seguir esse caminho intelectual?
O interesse pela Filosofia consolidou-se durante minha formação na obra social Pró-Menor Dom Bosco, em Manaus, onde atuei inicialmente como aluno e, posteriormente, como voluntário. Essa experiência despertou em mim a necessidade de compreender criticamente a realidade e consolidou meu compromisso com a educação e a reflexão filosófica. Esse percurso motivou o aprofundamento da minha formação, culminando, em 2023, no ingresso no Mestrado em Filosofia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), onde tenho desenvolvido pesquisas voltadas ao aperfeiçoamento da prática docente e da investigação filosófica.
3. Você possui livros ou outras obras publicadas? Em caso afirmativo, apresente-os brevemente e conte-nos um pouco sobre os temas ou questões que eles abordam.
No que concerne à produção acadêmica, minha trajetória inclui artigos publicados e um livro atualmente em processo de editoração. O livro é fruto da minha dissertação de mestrado e discute como o conceito de Esclarecimento, de Immanuel Kant, pode contribuir para o Ensino de Filosofia no Ensino Médio. Analisa uma experiência pedagógica realizada em uma escola pública de Manaus e demonstra como o uso de metodologias ativas, com a utilização de recursos mediadores como filmes, músicas e produção de vídeos, pode estimular nos estudantes o pensamento crítico, a autonomia intelectual e a capacidade de refletir sobre a própria realidade.
4. Em sua opinião, quais são os maiores desafios enfrentados por quem escolhe a Filosofia como profissão, vocação ou modo de vida?
Na condição de amigo da sabedoria, identifico alguns desafios centrais no contexto contemporâneo, destacando, em particular, a necessidade de preservação e fortalecimento do exercício do pensamento crítico e da autonomia intelectual, entendidos como condições indispensáveis para o enfrentamento e possibilidade de superação das idiosubjetivações. Tal tarefa se torna especialmente complexa em uma sociedade marcada pela valorização de respostas rápidas, certezas simplificadas e pela primazia da utilidade imediata.
5. Que mensagem você gostaria de deixar aos leitores do Fato Amazônico, especialmente aos que ainda não tiveram a oportunidade de se aproximar da Filosofia?
A Filosofia é um exercício permanente de reflexão crítica sobre a existência, o conhecimento e a vida em sociedade. Aproximar-se dela é um ato de coragem, pois implica questionar certezas estabelecidas. Favorece o desenvolvimento da autonomia intelectual e amplia a compreensão da realidade. Em tempos de desinformação, filosofar representa um compromisso ético com a formação de uma cidadania crítica e democrática.





