O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (5) que pretende aproveitar um possível encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para fazer uma provocação sobre o Pix. Durante um ato de campanha em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, Lula disse que vai sugerir que Trump faça uma transferência pelo sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

“O presidente dos Estados Unidos quer acabar com o Pix. Mas agora eu vou para a ONU, vou encontrar com o Trump, e vou dizer para ele: ‘Trump, faça um Pix, que você vai ver o quanto será bom’”, declarou o presidente.

A Assembleia Geral da ONU está marcada para 22 de setembro, em Nova York. A programação tradicional do encontro prevê que o presidente do Brasil seja o primeiro chefe de Estado a discursar na abertura da sessão, enquanto o presidente dos Estados Unidos, por ser o líder do país que sedia a organização, faça o segundo pronunciamento.

A presença dos dois líderes no mesmo evento abre a possibilidade de uma nova conversa entre Lula e Trump nos bastidores da reunião. Ainda não há confirmação de que os presidentes terão uma reunião bilateral formal, mas a Assembleia Geral costuma ser palco de encontros entre chefes de Estado e de Governo durante os dias de atividades diplomáticas.

Lula e Trump já tiveram um contato rápido no ano passado. Na ocasião, o presidente norte-americano afirmou que os dois haviam tido uma “química excelente”, em um dos primeiros sinais de aproximação entre os governos depois do anúncio de medidas comerciais dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

A relação entre os dois países, entretanto, passou por momentos de tensão em razão das medidas tarifárias adotadas pelo governo norte-americano. Entre os temas que entraram na pauta das discussões comerciais está o sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central brasileiro.

O Pix foi incluído pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR, em uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras. O órgão avaliou diferentes aspectos da política econômica e comercial do Brasil, incluindo questões relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamentos eletrônicos.

A investigação analisou, entre outros pontos, o tratamento dado pelo Brasil aos sistemas de pagamentos e as condições de concorrência para empresas estrangeiras que atuam no setor. Segundo o USTR, determinadas políticas brasileiras poderiam oferecer vantagens ao Pix em relação a serviços de pagamento concorrentes dos Estados Unidos.

Em julho, depois da conclusão da apuração, o governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A medida foi incorporada ao conjunto de ações comerciais adotadas durante o governo Trump e aumentou a pressão sobre as relações econômicas entre os dois países.

A inclusão do Pix nas discussões comerciais chamou atenção porque o sistema é uma ferramenta criada e regulamentada pelo Banco Central do Brasil e se tornou um dos principais meios de pagamento utilizados no país. A plataforma permite transferências e pagamentos instantâneos, sem a necessidade de utilização de cartões ou de sistemas tradicionais de compensação bancária.

Ao mencionar o Pix durante o ato político em São José do Rio Preto, Lula utilizou o sistema como símbolo de uma política brasileira que, segundo o governo, representa uma inovação nacional no setor financeiro. A declaração também ocorre em meio à disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos e às críticas do governo brasileiro às medidas adotadas por Trump.

A possível conversa entre Lula e Trump na ONU poderá, portanto, ocorrer em um contexto marcado por divergências comerciais e negociações entre os dois países. O encontro também poderá servir como oportunidade para os presidentes discutirem temas que vão além das tarifas, incluindo comércio, tecnologia, pagamentos digitais e relações econômicas.

A Assembleia Geral das Nações Unidas reúne anualmente líderes de diferentes países para discutir questões internacionais. Para o Brasil, a participação do presidente na abertura possui uma tradição histórica, com o chefe do Executivo brasileiro ocupando tradicionalmente a primeira posição entre os discursos de chefes de Estado.

Caso Lula e Trump voltem a conversar durante a edição deste ano, o Pix deverá estar entre os assuntos que podem aparecer nas discussões sobre as relações comerciais entre os dois países. A declaração feita pelo presidente brasileiro, no entanto, foi apresentada em tom descontraído durante um evento de campanha e não representa, até o momento, um anúncio de negociação formal sobre o sistema de pagamentos.

A participação de Lula na Assembleia Geral também ocorrerá em um cenário de atenção às relações entre Brasil e Estados Unidos, especialmente após as medidas tarifárias adotadas pelo governo Trump. O possível encontro entre os dois presidentes poderá servir para novos contatos diplomáticos em meio às tentativas de reduzir tensões e ampliar o diálogo entre Brasília e Washington.

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