Vinícius Schmidt/Metrópoles

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Rodrigo Perosa, afirmou que as novas medidas adotadas pela China para limitar as importações de carne bovina poderão impactar os preços do produto no Brasil. Segundo ele, embora possa haver uma redução temporária nos valores devido ao aumento da oferta no mercado interno, a tendência é de alta nos próximos meses em razão da diminuição da produção.

As declarações foram feitas nesta quinta-feira (16/7), durante a apresentação dos dados do Beef Report 2026. Perosa explicou que a queda na demanda internacional, somada às restrições impostas pela China e aos vetos da União Europeia à importação de carne bovina, deve levar frigoríficos e produtores a reduzir o ritmo de produção, o que tende a elevar os preços no médio e longo prazo.

Governo prevê cenário diferente

Enquanto a Abiec projeta aumento dos preços, o Ministério da Fazenda avalia que o impacto inicial poderá ser o oposto. Segundo o subsecretário de Política Macroeconômica, Rafael Leão, a redução das exportações pode ampliar a oferta de carne no mercado brasileiro, favorecendo uma queda temporária nos preços ao consumidor.

Rodrigo Perosa, porém, considera que esse efeito não deverá se manter. De acordo com ele, o setor já enfrenta redução da demanda internacional e algumas empresas começaram a adotar medidas como férias coletivas e layoffs para ajustar a produção.

A China anunciou recentemente um sistema de cotas para importação de carne bovina com o objetivo de proteger seus produtores locais. O limite global será de 2,7 milhões de toneladas por ano, sendo que o Brasil recebeu a maior cota individual, de 1,1 milhão de toneladas anuais. As importações que ultrapassarem esse limite estarão sujeitas a uma tarifa de 55%.

A medida terá validade de três anos e será aplicada a todos os países exportadores, sem tratamento diferenciado entre os fornecedores. Segundo a Abiec, até o momento não há discussões sobre uma eventual redistribuição dessas cotas. Em relação às tarifas impostas pelos Estados Unidos a outros produtos brasileiros, Perosa afirmou que o setor de carne bovina ainda não foi diretamente afetado, mas acompanha as negociações com atenção.

Com informações de Metrópoles

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