
A instalação de uma usina termelétrica de 5 megawatts (MW) em Manacapuru é a nova aposta da Âmbar Energia para evitar sobrecarga no sistema e reduzir o risco de interrupções no fornecimento justamente no período de maior consumo. De acordo com a concessionária, sem a geração adicional, aproximadamente 10% da população do município poderia ficar sujeita a cortes diários de energia entre 18h e 23h.
A medida foi antecipada depois que análises do sistema elétrico identificaram risco de a demanda superar a capacidade disponível para atender Manacapuru. Com os 5 MW adicionais, a empresa afirma ter criado uma margem de segurança para enfrentar os horários de pico.
O reforço ganha relevância também pelo histórico recente do sistema que atende a região. Em 20 de agosto, uma ocorrência provocou o desligamento automático de seis subestações no Amazonas, incluindo Manacapuru, além da termelétrica Tucunaré. Na ocasião, a interrupção inicial atingiu 294 MW de carga e o restabelecimento integral das áreas de Iranduba e Manacapuru ocorreu por volta das 22h, segundo informe preliminar do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Estratégia deve chegar a outros municípios
Segundo a Âmbar, a solução adotada em Manacapuru faz parte de uma estratégia que deverá ser ampliada para outros municípios do interior. A concessionária afirma que vem mapeando pontos de estrangulamento da rede para antecipar intervenções antes que o crescimento do consumo ultrapasse a capacidade instalada.
Além de reforçar a geração, o planejamento envolve intervenções nas redes de distribuição, subestações e sistemas de monitoramento.
Desde que assumiu a concessão no Amazonas, em abril deste ano, a empresa também afirma ter intensificado a interlocução com as prefeituras. Segundo os dados apresentados pela própria concessionária, já foram realizadas reuniões com 38 prefeitos e formalizados 20 acordos com municípios amazonenses.
Humaitá tem 39 postes e 34 quilômetros de rede no plano
Um dos municípios onde as intervenções já foram formalizadas é Humaitá, que vinha registrando reclamações recorrentes relacionadas a interrupções de energia, principalmente na zona rural.
Em acordo acompanhado pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), a Âmbar assumiu compromissos que incluem a substituição de 39 postes e 262 cruzetas, o trifilamento de 34 quilômetros da rede, limpeza da vegetação próxima à fiação e ampliação da equipe responsável pelo atendimento rural.
A Defensoria informou que continuará acompanhando o cronograma até que os compromissos sejam cumpridos.
Plano prevê R$ 5,5 bilhões até 2031
As intervenções fazem parte de um plano mais amplo anunciado pela Âmbar para o sistema elétrico amazonense. A companhia prevê R$ 5,5 bilhões em investimentos até 2031, sendo R$ 3,9 bilhões em capital próprio. O restante deverá vir de recursos federais, incluindo verbas destinadas ao programa Luz para Todos e à interligação de municípios.
O planejamento contempla expansão e revitalização da rede de distribuição, troca de cabos, construção e ampliação de subestações e adoção de novas tecnologias. A companhia prevê ainda 12 novas subestações até 2028, segundo informações divulgadas após a apresentação do plano na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Perdas chegam a 44% da energia
Outro problema considerado crítico pela empresa é o elevado volume de perdas. A estimativa apresentada pela Âmbar é de que cerca de 44% da energia injetada na rede não seja faturada, situação atribuída principalmente a desvios, ligações clandestinas e outras perdas não técnicas.
A redução desse índice integra o programa de modernização da concessionária, juntamente com a digitalização do sistema, novos equipamentos de monitoramento e medidas de regularização do consumo.
Em Manacapuru, porém, a intervenção tem caráter imediato: a termelétrica de 5 MW já instalada busca impedir que o aumento da demanda no horário de pico resulte em interrupções para parte dos consumidores. A experiência deverá servir, segundo a empresa, como referência para ações preventivas em outros pontos considerados críticos no interior do Amazonas.







