
A anemia por deficiência de ferro costuma se desenvolver de forma lenta e silenciosa, fazendo com que os primeiros sinais passem despercebidos. Antes mesmo do aparecimento de sintomas mais graves, o organismo pode apresentar manifestações como cansaço constante, dificuldade de concentração, queda de cabelo e diminuição da disposição.
Embora esses sintomas sejam frequentemente associados ao estresse ou ao excesso de trabalho, especialistas alertam que eles também podem indicar deficiência de ferro e merecem investigação médica. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a evolução da anemia e identificar sua causa, que nem sempre está relacionada apenas à alimentação.
Sintomas iniciais podem passar despercebidos
Nos estágios iniciais, a deficiência de ferro pode estar presente mesmo antes da queda dos níveis de hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue.
Entre os principais sinais estão:
- Cansaço persistente;
- Sonolência excessiva;
- Irritabilidade;
- Dores de cabeça frequentes;
- Dificuldade de concentração;
- Queda de cabelo;
- Unhas frágeis;
- Redução da capacidade para atividades físicas.
Os grupos mais suscetíveis incluem mulheres com fluxo menstrual intenso, gestantes, crianças, adolescentes, idosos, pessoas submetidas à cirurgia bariátrica e pacientes com doenças intestinais que comprometem a absorção de nutrientes.
Segundo a médica generalista Ingrid Ostermayer, da plataforma INKI, sintomas persistentes não devem ser ignorados.
“Mais importante do que confirmar a anemia é descobrir sua causa, já que a deficiência de ferro pode ser consequência de outras condições que também precisam de tratamento”, destaca.
Exames ajudam no diagnóstico precoce
O hemograma é um dos principais exames utilizados para identificar a anemia, mas nem sempre consegue detectar a deficiência de ferro em sua fase inicial.
Nesses casos, a dosagem da ferritina, que avalia as reservas de ferro do organismo, costuma ser um dos exames mais importantes.
Dependendo da avaliação médica, também podem ser solicitados exames como:
- Ferro sérico;
- Transferrina;
- Índice de saturação da transferrina;
- Capacidade total de ligação do ferro.
Esses exames ajudam a identificar alterações no metabolismo do mineral e direcionam o tratamento mais adequado.
Alterações hormonais também podem influenciar
Além da alimentação inadequada e das perdas de sangue, diversas condições de saúde podem dificultar a absorção ou o aproveitamento do ferro pelo organismo.
Entre elas estão:
- Hipotireoidismo;
- Obesidade;
- Doença celíaca;
- Gastrite atrófica;
- Estados inflamatórios crônicos;
- Cirurgias bariátricas;
- Uso prolongado de medicamentos que reduzem a acidez do estômago.
Nessas situações, mesmo quando existem reservas de ferro, o organismo pode não conseguir utilizá-las adequadamente para produzir hemácias.
O endocrinologista Igor Trotte ressalta que o tratamento deve ir além da simples reposição do mineral.
“A deficiência de ferro nem sempre está ligada apenas à alimentação. Em muitos pacientes, identificar alterações hormonais ou metabólicas é essencial para evitar que o problema volte a acontecer”, explica.
Os especialistas reforçam que a suplementação de ferro não deve ser feita por conta própria. A recomendação é procurar atendimento médico para realizar exames, identificar a origem da deficiência e definir o tratamento mais adequado para cada caso.
Com informações de Metrópoles







