
Durante partidas de futebol, é comum ver jogadores levarem uma garrafa de água ou isotônico à boca, darem um gole e, logo em seguida, cuspirem o líquido no gramado. Embora a cena possa parecer desperdício, ela faz parte de uma estratégia utilizada por alguns atletas durante exercícios de alta intensidade.
O gesto não significa, necessariamente, que o jogador esteja evitando a hidratação. Em determinadas situações, ele pode servir para aliviar a sensação de boca seca, reduzir o desconforto gastrointestinal e até estimular mecanismos que ajudam na percepção do esforço físico.
Especialistas, no entanto, reforçam que essa prática não substitui a hidratação adequada, considerada essencial para manter o desempenho e a segurança dos atletas durante uma partida.
Estratégia ajuda a reduzir desconfortos durante o jogo
Durante atividades intensas, ingerir grandes volumes de líquido de uma só vez pode provocar sensação de estômago cheio, refluxo, náuseas e outros desconfortos que prejudicam o rendimento.
Por isso, alguns atletas optam por umedecer a boca ou realizar pequenos enxágues antes de cuspir a bebida, especialmente em momentos decisivos do jogo.
Segundo o nutricionista esportivo Fernando Castro, esse recurso pode ter utilidade em situações específicas, mas não deve substituir a ingestão adequada de líquidos.
“Na maioria dos cenários esportivos, considero mais vantajoso realizar uma hidratação e suplementação adequadas do que depender apenas do enxágue bucal”, afirma.
Quando a bebida é cuspida, o organismo deixa de absorver água, eletrólitos e carboidratos, reduzindo os benefícios metabólicos da hidratação.
Enxágue com carboidrato pode estimular o cérebro
Uma das estratégias utilizadas no esporte de alto rendimento é o chamado enxágue bucal com carboidrato.
Nesse procedimento, o atleta coloca na boca uma bebida contendo carboidratos, mantém o líquido por alguns segundos e depois o cospe, sem engolir.
Estudos indicam que esse contato ativa receptores presentes na cavidade oral, enviando sinais ao cérebro relacionados à recompensa, motivação e percepção do esforço físico. O resultado pode ser uma pequena melhora no desempenho, mesmo sem absorção do carboidrato.
De acordo com o médico do esporte Anderson Clayton Sant’Anna, da plataforma INKI Corporate, essa técnica é utilizada apenas em situações específicas.
“O enxágue bucal com carboidrato é apenas uma ferramenta adicional dentro de uma estratégia completa de nutrição e hidratação esportiva”, explica.
Hidratação continua sendo fundamental
Os especialistas destacam que a hidratação começa antes mesmo do início da partida.
O planejamento inclui reposição adequada de água, eletrólitos e, quando necessário, carboidratos, levando em consideração fatores como intensidade do jogo, temperatura, umidade e características individuais de cada atleta.
Por isso, não existe uma estratégia única. Alguns jogadores toleram melhor pequenos goles frequentes, enquanto outros precisam ajustar a quantidade de líquido ingerida durante os treinamentos para evitar desconfortos.
Assim, embora cuspir água ou isotônico possa fazer parte de uma estratégia pontual durante a partida, o recurso não substitui a reposição adequada de líquidos, indispensável para manter o desempenho físico, favorecer a recuperação e reduzir o risco de desidratação.
Com informações de Metrópoles







