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O Exército dos Estados Unidos estabeleceu discretamente um corredor marítimo no Estreito de Ormuz para facilitar a passagem de petroleiros e garantir o transporte diário de milhões de barris de petróleo pela região. A informação foi divulgada pelo portal norte-americano Axios, que aponta aumento significativo no número de embarques, embora o fluxo ainda permaneça abaixo dos níveis registrados antes do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Segundo autoridades norte-americanas citadas pela publicação, o volume de petróleo transportado pela rota chegou a cerca de 20 milhões de barris. A operação ocorre em uma área marítima ao sul da costa de Omã e tem como objetivo reduzir os riscos para os navios que utilizam uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

A atuação dos Estados Unidos não se limita à escolta de petroleiros carregados. As forças norte-americanas também auxiliam embarcações vazias a atravessar o Estreito de Ormuz em direção ao Golfo Pérsico. Esses navios partem do Mar Arábico, entram na região para carregar petróleo produzido por países do Golfo e, posteriormente, retornam pela mesma rota.

Ainda de acordo com o Axios, aeronaves militares dos Estados Unidos fornecem proteção aos navios durante o deslocamento, diante da possibilidade de ataques iranianos com mísseis de cruzeiro e drones. Até o momento, o governo do Irã não havia se manifestado sobre a criação do corredor marítimo.

O Estreito de Ormuz fica entre o Irã e a Península Arábica e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, que dá acesso ao Mar Arábico e ao Oceano Índico. A passagem é considerada estratégica para o mercado internacional de energia devido à grande quantidade de petróleo transportada diariamente pela região.

A situação em torno do estreito se tornou um dos principais pontos de tensão nas negociações entre Washington e Teerã. Na última semana, os dois países fizeram reivindicações sobre o controle da passagem, enquanto o governo iraniano afirmou que a rota permaneceria fechada até que os Estados Unidos atendessem às suas exigências.

A instabilidade na região também tem provocado oscilações nos preços do petróleo. Como o Estreito de Ormuz é utilizado para o transporte de grandes volumes de energia, qualquer interrupção prolongada pode afetar a oferta internacional e aumentar a incerteza nos mercados.

Na terça-feira (18), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma imagem na qual o Estreito de Ormuz aparecia representado como território norte-americano. A publicação foi interpretada como mais uma provocação relacionada à disputa pelo controle da passagem.

Do lado iraniano, forças do país afirmam que o estreito continuará fechado enquanto Washington não cumprir as condições apresentadas por Teerã. O governo iraniano também elevou o tom das declarações nesta semana e indicou que poderá adotar medidas mais severas caso a pressão norte-americana continue.

Nesta quinta-feira (20), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, respondeu à ameaça de uma chamada “guerra econômica” anunciada pelos Estados Unidos. O diplomata afirmou que a estratégia norte-americana seria uma tentativa de desviar a atenção dos próprios problemas econômicos de Washington.

Araqchi também advertiu que o aumento da pressão sobre o Irã poderia resultar em novos prejuízos para os Estados Unidos. A declaração ocorreu um dia depois de Trump anunciar uma ofensiva econômica contra o governo iraniano.

Na noite de quarta-feira (19), o presidente norte-americano afirmou que pretende promover um isolamento econômico do Irã em uma escala que classificou como sem precedentes. Trump também ameaçou impor consequências econômicas a países que continuarem mantendo relações comerciais com Teerã.

O novo corredor marítimo criado pelos Estados Unidos ocorre, portanto, em um cenário de forte tensão militar, diplomática e econômica. Enquanto Washington busca manter o fluxo de petróleo pela região, Teerã utiliza o controle do Estreito de Ormuz como instrumento de pressão nas negociações, aumentando a preocupação sobre os impactos de uma eventual interrupção prolongada da principal rota de saída de petróleo do Golfo Pérsico.

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