
O Republicanos decidiu expulsar o prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga, do quadro de filiados da legenda por infidelidade partidária. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Conselho de Ética Nacional do partido e está relacionada ao apoio público declarado pelo prefeito à candidatura da própria esposa, Sirlange Rodrigues Frate Maganhato, que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo União Brasil.
O processo disciplinar foi relatado pelo vereador André Santos (Republicanos) e teve como origem um vídeo publicado nas redes sociais em que Manga aparece na sede do União Brasil em Sorocaba manifestando apoio à candidatura da esposa. O prefeito, conhecido pela forte presença nas redes sociais e pelo apelido de “prefeito tiktoker”, estava com a filiação suspensa desde julho, quando o procedimento interno foi aberto.
Manga foi informado da decisão na tarde de quarta-feira (19). Em nota, o Republicanos afirmou que a expulsão ocorreu após a conclusão de um processo ético-disciplinar conduzido de acordo com as regras previstas no estatuto da legenda. O partido declarou ainda que foram respeitados o devido processo legal, o direito ao contraditório e a ampla defesa.
Segundo a legenda, o Conselho de Ética considerou que a conduta de Manga violou os deveres de lealdade e fidelidade partidária estabelecidos pelo Republicanos. No relatório apresentado durante o processo, André Santos afirmou que o prefeito reconheceu por escrito a prática atribuída a ele e confirmou o apoio à candidatura da esposa por uma legenda diferente.
O relator também destacou que os filiados do Republicanos têm o dever de apoiar candidatos escolhidos e aprovados pela sigla durante os processos eleitorais. Na avaliação do Conselho de Ética, o apoio público a uma candidatura de partido concorrente, especialmente em um ano de eleições gerais, compromete a unidade interna e a imagem da legenda.
A decisão ocorre em meio a um período de forte desgaste político para Rodrigo Manga. Além do processo partidário, o prefeito também é investigado pela Polícia Federal em um caso envolvendo suspeitas de corrupção em contratos da área da saúde.
Investigação da Polícia Federal
Manga foi eleito prefeito de Sorocaba pela primeira vez em 2020 e conquistou um novo mandato em 2024, quando venceu a disputa ainda no primeiro turno. Posteriormente, tornou-se alvo da Operação Copia e Cola, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de corrupção relacionado a contratos públicos na área da saúde.
Como consequência das investigações, o prefeito chegou a ser afastado do cargo por 145 dias. Em novembro de 2025, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região havia determinado que o afastamento tivesse duração de 180 dias.
A medida, porém, foi posteriormente suspensa pelo Supremo Tribunal Federal. Em maio de 2026, a Segunda Turma do STF decidiu por unanimidade suspender o afastamento e permitir o retorno de Manga à Prefeitura de Sorocaba. A decisão confirmou uma liminar concedida anteriormente pelo ministro Kassio Nunes Marques.
Em fevereiro deste ano, a Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia contra o prefeito com base nas investigações conduzidas pela Polícia Federal. Manga foi acusado de crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, peculato, contratação ilegal e fraude em licitações.
A defesa do prefeito nega as acusações apresentadas pelas autoridades e rejeita a existência das irregularidades apontadas nas investigações.
Agora, além de responder às acusações relacionadas ao caso investigado pela Polícia Federal, Manga deixa oficialmente o Republicanos. A expulsão não representa, por si só, a perda do mandato de prefeito, mas encerra sua relação partidária com a legenda pela qual foi eleito.







