Os Estados Unidos definiram para 5 de junho de 2028 o início do julgamento de Khalid Sheikh Mohammed, apontado como um dos principais responsáveis pelo planejamento dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. O processo será realizado por um tribunal militar norte-americano na base naval de Guantánamo, em Cuba, e também envolverá outros três réus. A definição da data ocorre mais de duas décadas depois dos ataques que deixaram quase 3 mil mortos em território norte-americano.

Khalid Sheikh Mohammed está detido em Guantánamo desde 2003, dois anos após os atentados. A prisão fica localizada em uma área sob controle da Marinha dos Estados Unidos e se tornou um dos principais centros de detenção utilizados pelo governo norte-americano após os ataques de 11 de setembro.

Nascido no Kuwait e de origem paquistanesa, Mohammed é acusado de participar do planejamento e da execução dos ataques. Ele e os outros três réus respondem perante a Justiça Militar americana pelas acusações relacionadas à operação terrorista. Caso seja condenado, Mohammed poderá receber a pena de morte.

A demora para levar o caso a julgamento é um dos principais aspectos do processo. Desde os ataques de 2001, o procedimento passou por sucessivos atrasos e disputas judiciais, fazendo com que os acusados permanecessem presos por mais de 20 anos sem que houvesse uma conclusão definitiva sobre o caso.

Os atentados de 11 de setembro de 2001 são considerados os mais mortais ataques terroristas da história. Na manhã daquele dia, integrantes da organização extremista Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais nos Estados Unidos.

Dois deles foram lançados contra as torres do World Trade Center, em Nova York, provocando o desabamento dos edifícios e a morte de milhares de pessoas. Outro avião atingiu o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, nos arredores de Washington.

A quarta aeronave, o voo United Airlines 93, caiu em uma área rural da Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle do avião dos sequestradores. Nenhuma das pessoas a bordo sobreviveu.

Os ataques provocaram profundas mudanças na política de segurança dos Estados Unidos e desencadearam a chamada Guerra ao Terror. O governo norte-americano ampliou as operações militares e de inteligência contra grupos extremistas e iniciou a guerra no Afeganistão ainda em 2001.

Khalid Sheikh Mohammed foi capturado em 2003 e posteriormente transferido para a prisão de Guantánamo. Antes de chegar à base militar, ele passou por instalações clandestinas da CIA, onde foi submetido a interrogatórios considerados controversos e técnicas de interrogatório classificadas pelas autoridades americanas como métodos aprimorados.

A condução do processo também foi marcada por questionamentos sobre as condições de detenção dos acusados e sobre a admissibilidade de determinadas provas obtidas durante o período em que foram mantidos sob custódia da inteligência norte-americana. Essas questões contribuíram para prolongar a tramitação do caso.

A previsão é que o julgamento comece em junho de 2028, quando os atentados já terão completado quase 27 anos. O 25º aniversário dos ataques será marcado em setembro de 2026, apenas três meses após a definição da data do julgamento.

A realização do processo em Guantánamo mantém o caso no centro de uma longa discussão sobre a utilização de tribunais militares pelos Estados Unidos. A base naval, localizada em território cubano, tornou-se símbolo da política de detenção adotada pelo governo americano após os ataques terroristas.

Para os familiares das vítimas, o julgamento representa uma etapa aguardada há décadas. Ao mesmo tempo, o longo histórico de adiamentos e disputas jurídicas mostra a complexidade de um processo que envolve acusações extremamente graves, questões de segurança nacional e controvérsias relacionadas aos métodos utilizados pelos Estados Unidos durante a chamada Guerra ao Terror.

Com a data agora estabelecida, o processo deverá avançar para uma nova fase, embora ainda esteja sujeito a possíveis recursos e decisões judiciais antes do início efetivo dos trabalhos. Caso seja mantido o cronograma, Mohammed e os demais réus finalmente começarão a ser julgados mais de 26 anos após os ataques que mudaram a história recente dos Estados Unidos.

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