
As férias escolares costumam alterar a rotina de crianças e adolescentes em todo o país. Com menos compromissos, horários mais flexíveis e maior tempo em frente às telas, esse período pode representar um desafio para quem convive com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Segundo especialistas, a quebra da rotina pode intensificar sintomas como desatenção, impulsividade, dificuldade para organizar atividades e alterações no sono. Por isso, sempre que possível, é importante manter uma rotina estruturada e seguir o tratamento prescrito pelo médico.
De acordo com o psiquiatra Paulo Mattos, pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, em Brasília, o TDAH costuma se manifestar em diferentes ambientes, e não apenas na escola. Por esse motivo, interromper a medicação durante as férias nem sempre é a melhor opção.
“Quando o impacto do TDAH é significativo apenas no ambiente escolar, pode haver interrupção dos psicoestimulantes nesse período. Porém, no caso dos medicamentos não estimulantes, como a atomoxetina, é fundamental não interromper o tratamento. Temos que ser bem criteriosos e cada quadro precisa ser analisado individualmente antes de qualquer mudança”, explica.
O TDAH é um transtorno neurobiológico caracterizado por desatenção, impulsividade e hiperatividade. A condição pode afetar crianças, adolescentes e adultos, comprometendo o desempenho escolar e profissional, além dos relacionamentos e da qualidade de vida.
O tratamento pode incluir psicoterapia, medicamentos e estratégias comportamentais. Sem acompanhamento adequado, o transtorno pode aumentar o risco de ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades sociais.
Durante as férias, muitos pais continuam trabalhando, o que pode dificultar a manutenção da rotina dos filhos. Ainda assim, os especialistas recomendam organizar, sempre que possível, horários para dormir, acordar, fazer refeições, praticar atividades físicas e realizar momentos de lazer, reduzindo os impactos da mudança de rotina.
Para Paulo Mattos, as férias não representam uma pausa no tratamento do transtorno.
“As férias representam uma mudança importante na rotina, mas não significam uma pausa no TDAH. Com organização, acompanhamento adequado e adesão ao tratamento quando indicado, é possível atravessar esse período de forma mais tranquila, reduzindo impactos para a criança, o adolescente e toda a família”, afirma.
Com informações de Metrópoles







