
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, durante uma live realizada neste domingo (6) com apoiadores, que uma grande mobilização de público no ato previsto para esta segunda-feira (7), na Avenida Paulista, em São Paulo, poderá exercer influência sobre o julgamento que deverá definir se será aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Flávio, a pressão popular poderia ser considerada por ministros da Corte no momento de decidir o caso.
Durante a transmissão, o senador avaliou que parte dos integrantes do STF seria sensível à repercussão das manifestações nas ruas e que a quantidade de pessoas presentes no ato poderia influenciar os votos. Para Flávio, uma baixa adesão poderia favorecer uma decisão de proteção a Moraes, enquanto uma mobilização expressiva teria potencial para pressionar os ministros a priorizar, segundo ele, a instituição, a democracia e a Constituição.
A declaração ocorreu em conversa com o youtuber Fernando Lisboa, candidato a deputado estadual por São Paulo. O ato marcado para a Avenida Paulista está previsto para começar às 15h e deverá contar com a participação de nomes de destaque da direita brasileira.
Entre os políticos esperados estão o próprio Flávio Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Também devem participar candidatos de direita que disputam vagas para o Senado Federal e a Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.
A manifestação ocorre em meio a uma crise envolvendo diferentes instituições do sistema de Justiça e tem como um dos principais pontos de tensão as acusações e pedidos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com a avaliação apresentada no texto, atualmente haveria três votos considerados favoráveis à manutenção de uma proteção institucional ao ministro, atribuídos a Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Do outro lado, Luiz Fux e André Mendonça são apontados como contrários.
Moraes não deverá participar da análise do próprio caso. Com isso, a atenção se concentra nos votos dos demais ministros que ainda não teriam uma posição definida. Entre os nomes observados estão Dias Toffoli, Kássio Nunes Marques, Cármen Lúcia e o presidente do STF, Edson Fachin.
Fachin afirmou na sexta-feira (4) que pretende dar uma resposta “firme, proporcional e rigorosa” diante do conflito que envolve a Corte. O presidente do Supremo também estabeleceu prazo de cinco dias para que as partes apresentem manifestações relacionadas ao relatório produzido contra Moraes e ao pedido de investigação apresentado por Mendonça.
A disputa ganhou novos contornos depois que Moraes incluiu André Mendonça no chamado inquérito das fake news, instaurado para investigar ataques contra ministros do Supremo. O caso era relatado pelo próprio Moraes, mas Fachin determinou que a questão fosse transferida para o gabinete da Presidência da Corte.
O episódio também envolve a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF). Os chefes das duas instituições, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, respectivamente, foram citados nas conversas por mensagens que estão no centro da controvérsia envolvendo Moraes e o então banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal.
A participação de Gonet na crise ocorreu após o procurador-geral pedir a nulidade do relatório apresentado por Mendonça. Segundo Gonet, o ministro teria ultrapassado os limites de sua atuação como juiz ao determinar medidas relacionadas ao caso.
Além disso, a Procuradoria-Geral da República instaurou um procedimento para analisar a forma como a Polícia Federal produziu o relatório solicitado por Mendonça. A medida ampliou a disputa entre as instituições e acrescentou um novo elemento à crise que envolve o Supremo, a PGR e a PF.
O julgamento que deverá definir se haverá ou não uma investigação contra Alexandre de Moraes ainda não tem data marcada. Por isso, o ato previsto para a Avenida Paulista ocorre antes de uma decisão definitiva sobre o assunto e em um momento de forte disputa política em torno do Supremo Tribunal Federal.
A expectativa dos organizadores é reunir um grande número de apoiadores no feriado de 7 de setembro. Para Flávio Bolsonaro, a dimensão da manifestação poderá ter peso político no ambiente que antecede a análise do caso. A avaliação, no entanto, representa a posição do candidato e não significa que a manifestação tenha poder formal para determinar o voto dos ministros do STF.







