
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) suspendeu temporariamente, nesta terça-feira (14), as abordagens de veículos voltadas à fiscalização migratória. A medida foi adotada após duas operações realizadas em um intervalo de seis dias terminarem com a morte de motoristas nos estados do Maine e do Texas, aumentando a pressão sobre a atuação da agência durante a política de deportações em massa do governo do presidente Donald Trump.
A suspensão representa uma mudança provisória na estratégia do ICE e ocorre em meio ao crescimento das críticas sobre o uso da força por agentes federais em operações de imigração. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a decisão busca reavaliar os procedimentos adotados durante esse tipo de abordagem.
O caso mais recente ocorreu na cidade de Biddeford, no estado do Maine, onde um agente do ICE matou um motorista durante uma fiscalização. De acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS), o disparo foi efetuado porque o condutor teria representado risco à segurança pública ao tentar deixar o local.
O órgão, porém, não detalhou de que forma o motorista colocou outras pessoas em perigo nem explicou quais circunstâncias justificaram o uso de força letal. Pelas normas internas do ICE, agentes só podem utilizar armas de fogo quando houver risco iminente de morte ou de lesão corporal grave, sendo proibido o uso de força letal apenas para impedir a fuga de um suspeito.
A ocorrência passou a ser alvo de investigação após o senador Angus King informar que os agentes envolvidos não utilizavam câmeras corporais, o que dificulta a reconstrução dos fatos. A Procuradoria-Geral do Maine abriu uma apuração em conjunto com autoridades estaduais, federais e locais.
Uma testemunha ouvida pela Reuters afirmou que viu agentes retirarem o motorista do veículo após os disparos. Segundo Daniel Boucher, de 71 anos, a vítima ainda conseguiu dizer que havia tentado parar o carro antes de perder a consciência.
Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes identificaram o homem como um colombiano de 26 anos que possuía autorização para trabalhar legalmente nos Estados Unidos. O secretário do Departamento de Segurança Interna também informou ao senador Angus King que o motorista não era o alvo da operação de imigração.
O episódio gerou protestos no estado do Maine, e novas manifestações foram convocadas por grupos de defesa dos direitos dos imigrantes.
A decisão do ICE também foi influenciada por outro caso registrado seis dias antes, em Houston, no Texas. Na ocasião, agentes mataram Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, durante uma abordagem de trânsito.
Segundo o Departamento de Segurança Interna, o motorista teria tentado atropelar um policial após colidir contra uma viatura, o que teria motivado os disparos em legítima defesa. Passageiros que estavam no veículo, no entanto, contestaram essa versão. Até o momento, o governo americano não divulgou imagens ou outras provas que confirmem o relato oficial.
Dados internos obtidos pela Reuters indicam que as prisões efetuadas pelo ICE no estado do Maine mais que quadruplicaram desde o início de junho, alcançando cerca de 70 detenções por dia no começo de julho.
Com as duas ocorrências, chega a pelo menos sete o número de mortes registradas durante operações de fiscalização de imigração desde janeiro de 2025, período em que Donald Trump reassumiu a Presidência dos Estados Unidos e intensificou as ações de deportação em larga escala.







