
A inflação oficial do Brasil desacelerou em julho e ficou em 0,07%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11). O resultado representa uma redução de 0,09 ponto percentual em relação a junho, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16%. No acumulado de 2026, a inflação chega a 3,44%, enquanto, em 12 meses, o índice acumula alta de 4,44%.
Entre os grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, Habitação apresentou a maior alta em julho, com avanço de 0,99%. O principal impacto veio da energia elétrica residencial, que registrou alta de 3,09%, após ter subido 1,53% em junho. Segundo o instituto, o resultado foi influenciado por reajustes tarifários aplicados por concessionárias de energia em cidades como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.
O segundo maior aumento foi registrado no grupo Saúde e cuidados pessoais, que avançou 0,40% no mês. A alta foi influenciada principalmente pelos preços de artigos de higiene pessoal, que subiram 0,64%, e pelos planos de saúde, com aumento de 0,42%.
Na sequência, o grupo Despesas pessoais apresentou alta de 0,22%. Apesar das elevações em alguns segmentos, o resultado geral do IPCA foi beneficiado principalmente pela queda nos preços dos alimentos e pela redução registrada no grupo Vestuário.
Alimentação e bebidas teve a maior queda entre os grupos pesquisados, com recuo de 0,67% em julho. A redução foi influenciada principalmente por produtos que tiveram quedas expressivas de preço no período. O tomate caiu 29,09%, enquanto a batata-inglesa recuou 19,59% e a cenoura teve redução de 14,41%. O café moído também ficou mais barato, com queda de 2,45%.
Outro fator que contribuiu para a desaceleração da inflação foi o grupo Vestuário, que registrou queda de 0,66% em julho. A combinação entre a redução dos preços de alimentos e a retração em itens de vestuário ajudou a compensar as altas observadas em habitação, saúde e despesas pessoais.
Entre as 16 capitais brasileiras incluídas na pesquisa do IPCA, Rio Branco apresentou a maior alta em julho, com avanço de 0,32%. Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com 0,30%, e São Paulo, com 0,29%.
Por outro lado, algumas capitais registraram deflação no mês. Belém teve a maior queda, de 0,45%, seguida por Salvador, com recuo de 0,32%, e Curitiba, que apresentou redução de 0,21%.
Além do IPCA, o IBGE também divulgou os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), indicador voltado principalmente para medir a variação de preços sentida por famílias de menor renda.
Calculado pelo IBGE desde 1980, o IPCA considera famílias com rendimento mensal de um a 40 salários mínimos. Já o INPC concentra sua análise nos domicílios com renda mensal de um a cinco salários mínimos, permitindo acompanhar de forma mais específica o impacto da inflação sobre essa parcela da população.
Em julho, o INPC registrou queda de 0,01%. No acumulado de 2026, o indicador apresenta alta de 3,50%. Considerando os últimos 12 meses, o avanço é de 4,10%, abaixo dos 4,33% registrados no período de 12 meses imediatamente anterior.
A desaceleração do INPC foi influenciada principalmente pelo comportamento dos alimentos. Os produtos alimentícios passaram de uma queda de 0,29% em junho para um recuo de 0,74% em julho, contribuindo de forma significativa para o resultado negativo do índice no mês.
Já os produtos não alimentícios apresentaram variação positiva. O grupo passou de uma alta de 0,28% em junho para avanço de 0,23% em julho.
Os números divulgados pelo IBGE mostram que a inflação perdeu força no início do segundo semestre, principalmente devido à queda dos preços de alimentos. Apesar disso, alguns itens importantes para o orçamento das famílias, como energia elétrica e serviços relacionados à saúde, continuaram pressionando o custo de vida no período.







