Foto: Divulgação/NASA/Sydney Rohde

A NASA se prepara para lançar um dos projetos científicos mais ambiciosos da década: o telescópio espacial Nancy Grace Roman. A missão será enviada ao espaço a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, e promete revolucionar a astronomia ao investigar alguns dos maiores mistérios do Universo, como a matéria escura, a energia escura e a formação de sistemas planetários semelhantes ao da Terra.

Projetado para complementar o trabalho dos telescópios Hubble e James Webb, o Nancy Grace Roman será capaz de mapear grandes regiões do céu com velocidade e precisão inéditas. A expectativa da agência espacial é que o observatório transforme a compreensão sobre a evolução do Cosmos, produza bilhões de novas observações e abra caminho para descobertas que ainda nem podem ser previstas pelos cientistas.

O telescópio possui um espelho primário de 2,4 metros de diâmetro, o mesmo tamanho do utilizado pelo Hubble. A diferença está na tecnologia empregada, que tornou sua estrutura cerca de 80% mais leve e mais eficiente para observações em luz infravermelha.

Seu maior diferencial será o amplo campo de visão. Enquanto o Hubble registra imagens extremamente detalhadas de pequenas áreas do espaço, o Roman conseguirá capturar regiões aproximadamente 100 vezes maiores mantendo a mesma qualidade de imagem. Isso permitirá realizar em poucos anos levantamentos que levariam décadas para serem concluídos com a tecnologia atual.

Após o lançamento, previsto para ocorrer entre o fim de 2026 e maio de 2027, o telescópio será colocado no ponto de Lagrange L2, localizado a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, na direção oposta ao Sol. A região é a mesma ocupada pelo Telescópio Espacial James Webb e oferece condições ideais para observações de longa duração.

A missão principal terá duração de cinco anos, mas poderá ser estendida por mais cinco, dependendo das condições do equipamento.

Segundo a cientista-chefe do Projeto Roman, Julie McEnery, o verdadeiro potencial da missão está justamente nas descobertas inesperadas.

Ela afirma que uma única imagem produzida pelo telescópio teria resolução tão alta que seriam necessárias mais de 500 mil televisões 4K para exibi-la integralmente. Para McEnery, os resultados científicos mais importantes provavelmente serão aqueles que ainda nem podem ser imaginados.

Entre os principais objetivos científicos da missão está o estudo da expansão do Universo. O telescópio observará milhares de explosões estelares conhecidas como supernovas para medir distâncias cósmicas e entender como a expansão do Universo evoluiu ao longo do tempo.

Outra missão será investigar a matéria escura, uma substância invisível que representa aproximadamente um terço de toda a matéria existente no Universo. Utilizando a técnica conhecida como lente gravitacional fraca, o Roman conseguirá detectar como grandes concentrações dessa matéria deformam a luz emitida por galáxias distantes, ajudando os cientistas a mapear sua distribuição.

O observatório também terá papel importante na busca por novos mundos fora do Sistema Solar. A expectativa da NASA é identificar cerca de 100 mil exoplanetas, ampliando significativamente o catálogo de planetas conhecidos e aumentando as chances de encontrar ambientes potencialmente habitáveis.

Além disso, o telescópio produzirá um detalhado mapa tridimensional da Via Láctea, revelando a posição de bilhões de estrelas e oferecendo novas informações sobre a estrutura e a história da nossa galáxia.

O administrador da NASA, Jared Isaacman, destacou que a missão poderá responder algumas das questões mais profundas da ciência moderna.

Segundo ele, compreender a energia escura, investigar a matéria escura e descobrir planetas potencialmente habitáveis fazem parte do esforço contínuo da agência para entender a origem e a evolução do Universo, além de buscar evidências sobre a existência de vida fora da Terra.

A administradora associada da Diretoria de Missões Científicas da NASA, Nicola “Niki” Fox, afirmou que o Roman deverá revelar bilhões de galáxias, milhares de supernovas, dezenas de bilhões de estrelas e dezenas de milhares de novos planetas ao longo de sua operação.

Os pesquisadores acreditam que o telescópio criará uma espécie de novo atlas do Universo. Graças ao seu enorme campo de visão, ele será capaz de mapear o céu aproximadamente mil vezes mais rápido que o Hubble, tornando-se uma ferramenta indispensável para praticamente todas as áreas da astronomia durante a próxima década.

A cientista que dá nome à missão

O telescópio homenageia a astrônoma norte-americana Nancy Grace Roman, considerada uma das figuras mais importantes da história da exploração espacial e conhecida mundialmente como a “Mãe do Hubble”.

Nascida em 1925, no estado do Tennessee, Nancy enfrentou uma época em que a presença feminina na ciência era rara. Mesmo diante do preconceito, concluiu o doutorado em Astronomia em 1949 e, alguns anos depois, ingressou na recém-criada NASA.

Ela se tornou a primeira mulher a ocupar um cargo executivo na agência e a primeira chefe de Astronomia da instituição. Sua principal contribuição foi liderar os esforços para desenvolver um grande telescópio espacial, convencendo cientistas, engenheiros e o Congresso dos Estados Unidos sobre a importância de colocar um observatório acima da atmosfera terrestre.

Esse trabalho resultou no desenvolvimento do Telescópio Espacial Hubble, responsável por algumas das imagens mais impressionantes já registradas do Universo e por inúmeras descobertas científicas.

Ao batizar o novo observatório com o nome de Nancy Grace Roman, a NASA presta homenagem à cientista que ajudou a transformar a observação espacial e abriu caminho para uma nova geração de missões capazes de revelar os segredos mais profundos do Cosmos.

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