Participei, na quinta-feira passada, 11 de julho, juntamente com os colegas professores de História e Geografia, no Parque Municipal do Mindu, da Formação Continuada de Professores da SEMED – Secretaria Municipal de Educação, sobre o tema “Patrimônio Cultural e Imaterial de Manaus”.
Na ocasião, o professor Marúcio Mendonça, que é o professor Formador do Componente Curricular de História junto à SEMED indagou os presentes sobre o tema: “O que é patrimônio?”. “Quando se fala em patrimônio cultural de Manaus, o que vem à sua mente?”.
Depois de um breve tempo para reflexão, alguém da plateia respondeu: “A maioria das pessoas pensa logo no Teatro Amazonas, na Arena da Amazônia, no encontro das águas, no mercado Adolpho Lisboa…”.
O professor Marúcio Mendonça agradeceu a participação do colega e continuou refletindo: “O importante é explorar outros ambientes”. “O entorno das nossas escolas”. “O conhecimento prévio dos estudantes”. “A riqueza desse lugar…”.
Quando chegou a sua vez de falar, o professor Armando Frota, que é o professor Formador do Componente Curricular de Geografia junto à SEMED, explicou sobre a dinâmica da Corrida de Orientação, na qual os participantes teriam que explorar o Parque Municipal do Mindu e suas trilhas tendo como locais de referência os Pontos Cardeais: Norte, Sul, Leste e Oeste, cujo objetivo era encontrar os pontos e contemplar, questionar e indagar a situação deles, e do Parque como um todo.
Os participantes foram divididos em quatro grupos, cada um com uma cor diferente (Branco, Azul, Amarelo, Verde) e o professor Armando Frota transmitiu a orientação geral a todos: “Não tenham pressa. Contemplem a natureza. Observem a fauna e a flora desse lugar”. E todos saíram contentes e animados para as suas respectivas trilhas.
Quando as equipes retornaram, o professor Marúcio Mendonça estava fazendo uma belíssima reflexão sobre o distanciamento do homem atual do meio ambiente a partir do livro “Dialética da Natureza” do filósofo alemão Friedrich Engels.
“O que eu estou dizendo é que o progresso científico e tecnológico trouxe importantes conquistas no campo das ciências naturais. No entanto, é chegada a hora de retomarmos àquele amor primeiro pela natureza, o amor dos nossos antepassados pelo meio ambiente. Isso é possível com o nível de desenvolvimento técnico-científico que atingimos?”, indagou.
Retomando a palavra, o professor Armando Frota disse: “É interessante observar que o Parque Municipal do Mindu, criado em 1993, pelo então prefeito da época, Amazonino Mendes, foi uma solicitação dos moradores do bairro Parque Dez, tendo como argumento a proteção do habitat do sauim-de-coleira. E hoje, como está a relação da comunidade com o Parque? Será que a comunidade frequenta o Parque? E os sauim-de-coleira estão protegidos?”, indagou.
Todos tiveram a oportunidade de falar e alguns colegas relataram suas experiências. “É impressionante como a sociedade atual é consumista e o resultado desse consumo alienado é observado na grande quantidade de lixo jogado dentro do Parque”, disse uma professora. “Precisamos de mais parques como este; de área verde, de mais árvores nas ruas de Manaus”, disse outra professora.
Depois que todos falaram, o professor Armando Frota disse: “Que tenhamos mais encontros como este. Que encontremos novas formas de nos relacionamos com o ambiente de forma geral, que é a nossa casa comum”. E por fim, o professor Marúcio Mendonça agradeceu a todos dizendo: “A nossa permanência na Terra depende de ações coletivas; que pensemos mais nos outros e menos em nós mesmos; deixemos de lado o egoísmo e sejamos mais amorosos uns com os outros”.
Luís Lemos é professor, filósofo, escritor, autor, entre outras obras de, O primeiro olhar A filosofia em contos amazônicos (2011), O homem religioso A jornada do ser humano em busca de Deus (2016), Jesus e Ajuricaba na terra das amazonas Histórias do universo amazônico (2019), Filhos da quarentena A esperança de viver novamente (2021).
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