A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), realizou, nesta quinta-feira (29), uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a integrantes da equipe de campanha da ex-candidata ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo Seffair (PL). As diligências ocorreram em Manaus e São Paulo e estão relacionadas à investigação de supostos ataques à filha menor de idade do senador e governador eleito Omar Aziz (PSD).

A operação ocorre quatro dias depois de Omar Aziz anunciar publicamente, na noite de domingo (25), após vencer o segundo turno das eleições, que acionaria a Justiça contra pessoas que, segundo ele, utilizaram imagens de sua filha em vídeos divulgados durante a campanha eleitoral.

Entre os nomes citados nas informações sobre as diligências estão o jornalista e radialista Jefferson Coronel, que integrou a equipe de comunicação de Maria do Carmo, e o publicitário George Wilde, responsável pelo núcleo de marketing da campanha da candidata do PL.

Apesar das buscas, não houve cumprimento de mandados de prisão. Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre materiais apreendidos ou eventuais indiciamentos.

Maria do Carmo nega buscas em sua residência e diz que não foi intimada

Após a divulgação da operação, a assessoria jurídica de Maria do Carmo divulgou uma nota contestando informações de que a Polícia Civil teria realizado buscas em sua residência ou em outros endereços diretamente relacionados a ela.

Segundo a defesa, a ex-candidata recebeu com surpresa as notícias sobre as diligências e não foi procurada pelas autoridades para prestar esclarecimentos.

“Não houve movimentação policial, nem cumprimento de qualquer diligência, na residência da Professora Maria do Carmo ou endereços a ela relacionados”, afirma a nota.

A assessoria jurídica também sustenta que Maria do Carmo não recebeu intimação ou notificação relacionada à investigação.

Em outro trecho, a defesa afirma que a ex-candidata tomou conhecimento das denúncias pela imprensa e condena a utilização de familiares, especialmente crianças, em ataques políticos.

Segundo a nota, Maria do Carmo repudia condutas dessa natureza, ressaltando que ela própria e seus familiares também foram vítimas de ataques durante a campanha eleitoral.

A defesa acrescenta que a ex-candidata permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e defende que os fatos sejam apurados sem especulações ou julgamentos antecipados.

O documento é assinado pelo advogado Sérgio Roberto Bulcão Bringel Júnior, inscrito na OAB/AM sob o número 14.182.

Polícia Civil realiza diligências em Manaus e São Paulo

Em Manaus, um dos endereços apontados como alvo da operação foi o Residencial Bellagio, localizado no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul da capital.

O imóvel seria relacionado ao radialista Jefferson Coronel, que participou da equipe de comunicação da campanha de Maria do Carmo.

Imagens obtidas pela imprensa mostram policiais chegando ao condomínio em uma viatura descaracterizada e entrando pela portaria para realizar as diligências.

Em São Paulo, outro endereço relacionado à operação pertence ao publicitário George Wilde, contratado para comandar o núcleo de marketing da campanha da candidata do PL.

As investigações buscam esclarecer a possível participação de integrantes da estrutura de comunicação eleitoral na produção e divulgação de conteúdos que teriam utilizado indevidamente imagens da filha do governador eleito.

Jefferson Coronel nega participação na produção dos vídeos

Antes da operação, Jefferson Coronel já havia se manifestado publicamente sobre as acusações.

Durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, realizada na segunda-feira (26), o radialista negou ter participado da produção dos vídeos investigados.

“Não fui contratado para ser o marqueteiro, fui contratado para ser assessor de imprensa e ajudar na preparação dela para os debates. E foi o que eu fiz”, declarou.

Coronel também afirmou que não tinha acesso aos materiais audiovisuais produzidos pela campanha.

“Não tive acesso a nenhum dos filmes, dos vídeos ou dos programas que foram produzidos durante a campanha. Não era o meu papel”, acrescentou.

A declaração busca afastar sua participação na produção dos conteúdos que motivaram a denúncia apresentada por Omar Aziz.

Omar Aziz prometeu medidas judiciais após ataques à filha

A investigação teve origem nas denúncias feitas por Omar Aziz após a confirmação de sua vitória no segundo turno das eleições para o Governo do Amazonas, realizado no domingo (25).

Na ocasião, durante entrevista na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), o governador eleito demonstrou indignação com os ataques que, segundo ele, atingiram sua família durante a disputa eleitoral.

Omar afirmou que vídeos compartilhados por aplicativos de mensagens associavam seu nome a crimes e utilizavam imagens de sua filha, que é menor de idade.

O governador eleito anunciou que seus advogados adotariam medidas judiciais contra os responsáveis pela produção e divulgação dos conteúdos.

“Eu quero eles na cadeia! E não vou medir esforços para fazer isso, porque bárbaros, criminosos, têm que tá enjaulados”, declarou Omar na ocasião.

O senador também citou publicamente nomes de pessoas que considera responsáveis pelos ataques, entre elas a adversária Maria do Carmo e integrantes de sua equipe de comunicação.

As declarações de Omar, no entanto, representam acusações que dependem de investigação e eventual responsabilização judicial.

Investigação busca identificar responsáveis pelos conteúdos

A apuração conduzida pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente tem como foco esclarecer as circunstâncias da produção e divulgação dos vídeos denunciados.

O uso de imagens de crianças e adolescentes em conteúdos potencialmente ofensivos pode envolver violações aos direitos à imagem, à dignidade e à proteção da intimidade, assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A eventual configuração de crimes dependerá da análise dos conteúdos, das circunstâncias de divulgação e da participação individual dos investigados.

Até o momento, a Polícia Civil não apresentou um balanço oficial das diligências, e não há informação sobre prisões relacionadas à operação desta quinta-feira.

A investigação segue em andamento.

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