
A Polícia Federal apreendeu R$ 510 mil em dinheiro vivo nesta quarta-feira (26), durante uma inspeção na bagagem de mão da advogada Valéria Rodrigues Linhares, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. O valor foi identificado por agentes enquanto a advogada passava pelo equipamento de raio-X antes de embarcar em um voo com destino a Brasília. O dinheiro e o caso foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal, que deverá investigar a origem e a finalidade da quantia.
De acordo com as informações divulgadas sobre a ocorrência, o montante estava na bagagem de mão da advogada e foi localizado durante o procedimento de fiscalização realizado no aeroporto. Após a apreensão, os valores foram encaminhados para a unidade da PF, onde deverão passar pelos procedimentos de análise e registro.
Valéria Rodrigues Linhares é filiada ao PSD e já disputou uma eleição no Distrito Federal. Em 2018, foi candidata a deputada distrital, recebeu 1.904 votos, mas não conseguiu uma vaga na Câmara Legislativa.
O PSD lançou neste ano o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como candidato à Presidência da República e, no Distrito Federal, aguarda uma definição sobre uma eventual candidatura de José Roberto Arruda.
Além da atuação na política, registros públicos disponíveis na internet relacionam Linhares à propriedade de um hotel e de uma agência de viagens em Brasília. O nome dela também aparece associado a outras empresas com atuação no Rio de Janeiro e em São Paulo.
O hotel ligado à advogada ganhou destaque nacional em 2013, quando ofereceu ao então ex-ministro da Casa Civil José Dirceu um cargo de gerente com salário de R$ 20 mil. Na época, Dirceu estava preso após ser condenado no processo do Mensalão e cumpria pena em regime semiaberto.
A proposta de emprego foi confirmada pela defesa do ex-ministro naquele período. O trabalho permitiria que Dirceu deixasse a unidade prisional durante o dia para exercer atividade profissional, conforme as regras do regime de cumprimento de pena.
Posteriormente, porém, a defesa informou que Dirceu havia desistido da oportunidade em razão do que classificou como “clima de linchamento midiático” provocado pela repercussão da contratação.
Em nota divulgada após a apreensão do dinheiro, a defesa de Valéria Rodrigues Linhares afirmou que os R$ 510 mil possuem origem lícita. Segundo os advogados, a quantia teria sido recebida como pagamento por serviços prestados pelo escritório de advocacia.
A defesa também informou que pretende solicitar a devolução dos valores apreendidos. “Por esta razão, nesta data será requerida a devolução de todos os valores”, afirmou o comunicado.
A Polícia Federal ainda deverá analisar a documentação apresentada e as circunstâncias em que o dinheiro estava sendo transportado. A investigação poderá verificar a origem dos recursos, a justificativa para o transporte da quantia em espécie e se houve alguma irregularidade relacionada ao valor apreendido.
Até o momento, a defesa sustenta que não há ilegalidade na origem do dinheiro e que a quantia corresponde a pagamentos relacionados à atividade profissional da advogada. O caso permanece sob análise da Polícia Federal.







