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A Rússia poderá adotar uma resposta “simétrica” contra países que apreenderem ou confiscarem embarcações associadas à chamada frota fantasma russa, afirmou nesta quarta-feira (12) o presidente Vladimir Putin durante uma visita a um cruzador lança-mísseis da Frota do Pacífico. Segundo o líder russo, Moscou poderá reagir não apenas nas mesmas regiões onde ocorrerem eventuais ações contra seus navios, mas também em outros pontos considerados estratégicos pelo governo.

Durante um discurso transmitido pela televisão estatal russa, Putin afirmou que o país será obrigado a responder caso embarcações sejam tomadas. O presidente mencionou inclusive a possibilidade de medidas em áreas sob responsabilidade da Frota do Pacífico.

A chamada frota fantasma é formada por embarcações utilizadas para transportar petróleo e outras mercadorias russas sob estruturas que permitem contornar ou reduzir o impacto das sanções impostas por países ocidentais. Alguns desses navios operam sob bandeiras estrangeiras ou apresentam situações complexas de registro e propriedade.

Putin criticou as recentes iniciativas de países europeus contra embarcações ligadas a operadores russos. Segundo o presidente, algumas dessas medidas violariam normas do direito marítimo internacional.

O líder russo afirmou que determinados governos estariam tentando restringir a circulação de navios pertencentes a operadores econômicos russos e classificou eventuais apreensões como atos de “pirataria e saque”. Moscou vem aumentando as críticas contra medidas adotadas por países ocidentais para dificultar o transporte e a comercialização de produtos russos como parte das sanções relacionadas à guerra na Ucrânia.

Em resposta às declarações de Putin, o comandante da Frota do Pacífico, almirante Viktor Liina, afirmou que a força naval russa possui capacidade para atuar contra embarcações de países considerados não amigáveis por Moscou.

A declaração ocorreu durante a visita do presidente russo ao extremo Oriente do país. Putin esteve a bordo do cruzador lança-mísseis Varyag, considerado um dos principais navios da Frota do Pacífico, e acompanhou exercícios militares realizados na região.

Segundo o presidente russo, os exercícios têm como objetivo manter o nível de preparação das forças navais e garantir a capacidade de defesa dos interesses russos na região da Ásia e do Pacífico.

Putin também destacou a atuação dos fuzileiros navais da Frota do Pacífico e afirmou que as tropas estão preparadas para cumprir diferentes tipos de missões. A demonstração militar ocorre em um momento de aumento das tensões geopolíticas no entorno do Pacífico.

Durante a visita, o presidente russo voltou a alertar para o risco de crescimento das tensões na região da Ásia e do Pacífico. Na avaliação de Putin, a atuação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na região contribui para elevar os riscos de um confronto.

O presidente acusou a aliança militar ocidental de ampliar sua presença e de preparar a instalação de novos sistemas de armas que, segundo ele, representam ameaças à segurança da Rússia.

Putin também criticou o governo do Japão pelas sanções impostas a Moscou em resposta à invasão russa da Ucrânia. O presidente russo classificou as medidas japonesas como injustificadas e afirmou que Moscou não considera o país uma ameaça direta.

O Japão, entretanto, passou a classificar a Rússia como uma das ameaças à sua segurança, ao lado da China e da Coreia do Norte, em meio ao agravamento das tensões militares e estratégicas no leste da Ásia.

As relações entre Rússia e Japão também permanecem marcadas por uma disputa territorial envolvendo as ilhas Curilas. O arquipélago, localizado no Pacífico Norte, é controlado pela Rússia desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas o Japão reivindica a soberania sobre as ilhas situadas na porção sul.

A questão territorial permanece como um dos principais obstáculos para uma normalização completa das relações entre os dois países. A disputa ganhou novos contornos após o início da guerra na Ucrânia, quando o Japão aderiu às sanções internacionais contra Moscou.

As declarações de Putin ocorrem, portanto, em um contexto de aumento das tensões entre a Rússia e países ocidentais, envolvendo tanto as sanções econômicas quanto a presença militar e as disputas estratégicas no Oceano Pacífico.

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