
A Polícia Civil do Piauí concluiu, na sexta-feira (17), o inquérito que investigava a tentativa de sequestro de uma recém-nascida na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina. Ao final das investigações, a suspeita, Auricélia Rocha, de 42 anos, foi indiciada pelo crime de subtração de criança ou adolescente, previsto no artigo 237 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ela permanece presa preventivamente enquanto o caso segue para análise do Ministério Público e da Justiça.
De acordo com a investigação, o crime ocorreu no dia 6 de julho, quando a mulher entrou na maternidade mesmo estando de folga. Segundo a Polícia Civil, ela utilizava um uniforme da própria unidade hospitalar, o que permitiu que circulasse pelo local sem levantar suspeitas em um primeiro momento.
Ainda conforme o inquérito, Auricélia se aproximou dos familiares da recém-nascida e afirmou que levaria a bebê para a realização de exames de rotina. Convencidos de que ela fazia parte da equipe de saúde, os parentes entregaram a criança sem perceber que se tratava de uma falsa solicitação.
Após deixar o quarto, a investigada colocou a recém-nascida dentro de uma bolsa e tentou sair da maternidade. A ação, no entanto, foi interrompida antes que ela deixasse o hospital. A tia da bebê desconfiou da movimentação da mulher, passou a procurá-la pelos corredores da unidade e conseguiu localizar a criança antes que o sequestro fosse consumado.
A rápida reação da familiar foi considerada decisiva para impedir que a suspeita deixasse o hospital com a recém-nascida. Funcionários da maternidade e equipes de segurança também foram acionados, permitindo que a mulher fosse contida até a chegada das autoridades policiais.
Durante a apuração, os investigadores reuniram depoimentos, imagens e documentos para reconstruir a dinâmica do caso. Segundo a Polícia Civil, as evidências confirmaram que a suspeita teria planejado a ação com antecedência e se aproveitado do conhecimento que possuía sobre o funcionamento da maternidade para facilitar a tentativa de retirada da criança.
As investigações também revelaram que Auricélia simulava uma gravidez havia vários meses. A conclusão foi baseada na análise de dados telemáticos, documentos médicos e outras provas reunidas durante o inquérito. Conforme a polícia, apesar de sustentar publicamente que estava gestante, ela não estava grávida.
Os investigadores apuram se a falsa gestação fazia parte do planejamento para justificar o aparecimento de um bebê perante familiares, amigos e pessoas próximas. Esse tipo de comportamento já foi registrado em outros casos semelhantes investigados no país, nos quais suspeitos simulam uma gravidez durante meses antes de tentar subtrair uma criança.
Com a conclusão do inquérito, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar as provas e decidir sobre o oferecimento da denúncia à Justiça. Caso seja condenada, Auricélia responderá pelo crime de subtração de criança ou adolescente, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
O caso provocou grande repercussão no Piauí e reacendeu o debate sobre os protocolos de segurança em maternidades e hospitais. Após o episódio, a unidade reforçou os procedimentos internos para identificação de profissionais, controle de acesso e circulação de pessoas nas áreas destinadas às mães e aos recém-nascidos, com o objetivo de reduzir os riscos de ocorrências semelhantes.







