Segundo a Brigada Militar, o policial militar, teria efetuado disparos de arma de fogo contra um policial federal durante o cumprimento do mandado judicial contra a sua esposa • PFRS

O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) decretou a prisão preventiva do empresário Maurílio Ramalho de Oliveira, investigado por supostos crimes contra a ordem tributária. A decisão foi proferida pelo desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos e ocorreu em um caso distinto da investigação sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais no tribunal, no qual o empresário firmou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal (PF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A prisão foi determinada em uma medida cautelar proposta pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA). Segundo a denúncia, Maurílio e outros investigados, na condição de sócios de uma empresa do setor de transportes, teriam cometido crimes de sonegação fiscal e apropriação indébita de ICMS, provocando prejuízo superior a R$ 18 milhões aos cofres públicos estaduais.

Fundamentação da decisão

Na decisão, o desembargador afirmou que diversas tentativas de localizar e citar os investigados teriam sido frustradas em estados como Maranhão, Mato Grosso e Rondônia, circunstância que justificaria a necessidade da prisão preventiva para assegurar a aplicação da lei penal e a instrução criminal.

O magistrado também citou indícios de ocultação patrimonial, apontando que ativos da empresa investigada teriam sido transferidos para sociedades registradas em nome de familiares, com o objetivo de dificultar eventual ressarcimento ao Estado.

Defesa contesta prisão

Os advogados Cezar Bitencourt e Vânia Bitencourt, responsáveis pela defesa de Maurílio Ramalho, contestam os fundamentos da decisão.

Segundo eles, o empresário foi regularmente citado no processo em 17 de junho e apresentou resposta à acusação, afastando a alegação de que estaria foragido ou ocultando seu paradeiro.

A defesa também sustenta que, por possuir um acordo de colaboração premiada homologado no âmbito do STJ, qualquer medida relacionada à liberdade do empresário deveria ser analisada pela Corte Superior.

Os advogados informaram que apresentarão pedido de reconsideração da prisão.

TJ afirma que caso não tem relação com delação

Em nota, o desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos afirmou que a prisão preventiva não possui qualquer relação com a colaboração premiada firmada por Maurílio Ramalho nem representa retaliação às investigações sobre venda de decisões judiciais.

Segundo o magistrado, a decisão trata exclusivamente da ação penal que apura crimes tributários envolvendo a empresa administrada pelo investigado.

Ainda conforme o TJMA, a prisão foi fundamentada na necessidade de garantir o andamento do processo diante do comportamento considerado evasivo dos acusados.

Operação Inauditus

Maurílio Ramalho de Oliveira tornou-se um dos principais personagens da Operação Inauditus, deflagrada pela Polícia Federal em 1º de abril de 2026.

A investigação apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo a comercialização de decisões judiciais no âmbito do Tribunal de Justiça do Maranhão.

Na operação, o STJ determinou o afastamento de dois desembargadores, além de juízes, assessores e outros servidores suspeitos de participação no esquema.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria atuado para direcionar decisões judiciais e beneficiar partes envolvidas em disputas milionárias relacionadas a conflitos agrários, mediante pagamento de vantagens indevidas.

Além dos mandados de busca e apreensão, foram determinadas medidas como bloqueio de bens de até R$ 50 milhões, monitoramento eletrônico de investigados, afastamento de servidores e prisão preventiva de apontados operadores do esquema.

À época da operação, o Tribunal de Justiça do Maranhão informou que colaborava integralmente com as investigações conduzidas pela Polícia Federal.

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