Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (26) uma medida que amplia temporariamente a quantidade de carne bovina magra que pode ser importada pelo país sem a cobrança de tarifas acima da cota. A decisão, anunciada pela Casa Branca, tem como objetivo aumentar a oferta de carne moída e tentar conter a alta dos preços enfrentada pelos consumidores americanos.

A medida permite a entrada adicional de até 300 mil toneladas métricas de carne bovina magra durante um período de 90 dias. O governo americano argumenta que os preços da carne bovina subiram de maneira “irracional” e que a ampliação das importações poderá ajudar a aliviar a pressão sobre o mercado interno.

O produto incluído na medida é formado principalmente por aparas de carne magra, que costumam ser misturadas a cortes com maior quantidade de gordura para produzir carne moída. O insumo é amplamente utilizado na fabricação de hambúrgueres e outros produtos consumidos diariamente nos Estados Unidos.

A decisão, no entanto, enfrenta resistência de produtores rurais e entidades ligadas à pecuária americana. A Federação Americana de Escritórios Agrícolas encaminhou uma carta ao presidente Donald Trump alertando que a redução temporária das barreiras às importações pode prejudicar os pecuaristas dos Estados Unidos.

Representantes do setor afirmam que o aumento da oferta de carne importada pode pressionar para baixo os preços recebidos pelos produtores americanos. Segundo a avaliação dos pecuaristas, isso poderia dificultar a recuperação de um mercado que já enfrenta problemas relacionados à redução do rebanho.

Os consumidores americanos registraram preços elevados da carne bovina ao longo deste ano. Ao mesmo tempo, a quantidade de gado disponível no país caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, cenário atribuído, entre outros fatores, aos impactos de períodos de seca e incêndios florestais.

A redução do rebanho diminuiu a oferta de animais para abate e contribuiu para aumentar os custos ao longo da cadeia produtiva. Com menos carne disponível no mercado doméstico, os preços chegaram a níveis recordes e passaram a representar uma preocupação para o governo americano.

Outro fator que afetou o abastecimento foi a decisão de Trump de restringir temporariamente a entrada de gado proveniente do México. A medida foi adotada como estratégia para conter a disseminação da mosca-varejeira do Novo Mundo, uma praga que pode provocar ferimentos graves nos animais e causar prejuízos à produção pecuária.

Nesta semana, os Estados Unidos começaram a reabrir de forma gradual alguns pontos de entrada na fronteira sul para a passagem de gado mexicano. A retomada ocorre enquanto o governo tenta equilibrar as preocupações sanitárias com a necessidade de aumentar a oferta de carne no mercado americano.

A Casa Branca sustenta que a nova medida de importação poderá ampliar rapidamente a disponibilidade de carne bovina magra para a indústria de carne moída. Com maior oferta de matéria-prima, o governo espera reduzir os custos e, consequentemente, aliviar os preços pagos pelos consumidores.

A decisão também ocorre em um momento de pressão política sobre o governo para reduzir o custo de alimentos básicos. A inflação dos produtos alimentícios é uma das preocupações entre os consumidores americanos e ganhou importância no debate político que antecede as eleições legislativas de meio de mandato.

A estratégia adotada por Trump, porém, coloca o governo diante de interesses distintos. Enquanto consumidores e autoridades defendem uma oferta maior para tentar reduzir os preços, produtores americanos temem que o aumento das importações prejudique a remuneração dos pecuaristas.

A medida tem duração inicial de 90 dias e deverá ser acompanhada pelo governo americano para avaliar seus efeitos sobre a oferta e os preços da carne bovina. O resultado também poderá influenciar futuras decisões sobre importações e políticas destinadas ao setor pecuário dos Estados Unidos.

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