Reprodução Reuters/Evan Vucci

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (20) que o Irã sofrerá consequências severas caso novos militares norte-americanos sejam mortos durante o conflito no Oriente Médio. A declaração ocorre após a confirmação da morte de pelo menos três soldados dos EUA nos últimos dias, em meio à escalada dos confrontos entre os dois países. Em publicação nas redes sociais, Trump declarou que “cada vez que o Irã matar um soldado americano, pagará por essa morte muitas vezes”.

Os Estados Unidos ampliaram a ofensiva militar contra o território iraniano e já acumulam nove dias consecutivos de ataques, depois do rompimento do memorando de entendimento que previa a redução das hostilidades. A intensificação dos bombardeios ocorreu após os ataques que resultaram na morte de militares norte-americanos em bases localizadas na Jordânia e no norte do Iraque.

Entre os alvos atingidos pelas forças dos EUA está a usina nuclear de Darkhovin, que ainda está em construção no sudoeste do Irã. Também foram registrados bombardeios em diferentes áreas da cidade portuária de Bushehr, onde funciona a única usina nuclear civil iraniana. As informações foram divulgadas pela agência estatal iraniana Irna.

Em resposta, Teerã lançou uma nova ofensiva com mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos instaladas na região do Golfo Pérsico. No Bahrein, sirenes de alerta aéreo foram acionadas para avisar a população sobre o risco de ataques, enquanto o Kuwait mobilizou seus sistemas de defesa para interceptar drones iranianos.

A Guarda Revolucionária do Irã informou ainda ter realizado um ataque surpresa contra um centro de comando considerado inimigo na região de Al-Tanf, na Síria. A operação também foi anunciada por meio da agência estatal Irna.

O comando militar iraniano voltou a ameaçar o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Segundo a Guarda Revolucionária, caso a ofensiva norte-americana prossiga, o tráfego de petróleo, gás e outros produtos petroquímicos poderá ser interrompido. A declaração reforça as preocupações do mercado internacional, já que qualquer bloqueio na região tende a pressionar os preços globais da energia.

Além das declarações sobre o conflito, Trump também comentou a situação do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Em outra publicação nas redes sociais, o presidente norte-americano afirmou que Netanyahu não será preso em território dos Estados Unidos, reagindo às declarações do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.

Trump afirmou que Netanyahu está enfrentando a República Islâmica do Irã e criticou aqueles que, segundo ele, permitiram o agravamento do conflito ao longo das últimas décadas. Na mensagem, sustentou que os responsáveis pela escalada da crise deveriam responder por suas ações, e não o premiê israelense.

A manifestação ocorreu após Mamdani afirmar, em entrevista publicada no último sábado (18), que avalia a possibilidade de solicitar a prisão de Netanyahu caso ele participe da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, prevista para setembro, em Nova York. O prefeito argumentou que o líder israelense foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional por supostos crimes de guerra.

Apesar da declaração, Mamdani reconheceu que ainda não sabe se possui autoridade legal para determinar que a polícia da cidade execute uma eventual prisão de um chefe de governo estrangeiro. Segundo ele, a questão está sendo analisada pela equipe jurídica da prefeitura. Até o momento, Benjamin Netanyahu não comentou publicamente as declarações do prefeito nova-iorquino.

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