
A Coreia do Norte lançou mais de dez mísseis balísticos de curto alcance em direção ao mar nesta quinta-feira (20), em meio aos exercícios militares realizados conjuntamente por Coreia do Sul e Estados Unidos. Após os lançamentos, o governo de Pyongyang determinou que suas Forças Armadas permanecessem em estado de prontidão máxima durante a realização das atividades militares.
O gabinete presidencial da Coreia do Sul convocou uma reunião de emergência com representantes do Ministério da Defesa e das Forças Armadas para discutir os lançamentos. Em comunicado, o governo sul-coreano condenou a ação e afirmou que o disparo de mísseis balísticos representa uma violação das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Seul também pediu que a Coreia do Norte interrompa imediatamente esse tipo de ação, enquanto as autoridades acompanham os movimentos militares de Pyongyang e avaliam o alcance e as características dos projéteis lançados.
O ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Gyu-back, afirmou a parlamentares que os lançamentos podem ter envolvido lançadores múltiplos de foguetes de 600 milímetros. Segundo ele, esses equipamentos podem ser posicionados próximos à fronteira entre as duas Coreias e ter capacidade para transportar ogivas nucleares.
Ahn também declarou que a Coreia do Norte possui entre 80 e 120 ogivas nucleares. A avaliação ocorre em um momento de aumento das tensões na Península Coreana, provocado principalmente pela realização dos exercícios militares conjuntos entre Seul e Washington.
Os lançamentos são considerados uma reação de Pyongyang às atividades militares realizadas pelos dois países. Na quarta-feira (19), Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, voltou a criticar os exercícios e afirmou que a política dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte continua sendo considerada hostil pelo governo de Pyongyang.
Os exercícios, que inicialmente estavam previstos para durar dez dias, foram reduzidos pela metade e serão encerrados nesta sexta-feira (21). A decisão ocorreu por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump também fez novos elogios ao líder norte-coreano nos últimos dias. Na segunda-feira (17), o presidente americano afirmou que mantém uma relação de respeito com Kim Jong-un e disse que os dois já se encontraram em ocasiões anteriores.
Na quarta-feira, Kim Yo-jong reconheceu que seu irmão mantém uma relação positiva com Trump, mas afirmou que isso não significa uma mudança na política dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte.
No mesmo dia, Trump voltou a criticar a dimensão dos exercícios militares realizados por Estados Unidos e Coreia do Sul. Segundo o presidente americano, uma atividade militar de grande escala poderia ser interpretada como um exercício de guerra e considerada ofensiva pelo governo norte-coreano.
Enquanto as tensões aumentam entre Pyongyang, Seul e Washington, a China defendeu a retomada do diálogo entre as duas Coreias. Nesta quinta-feira (20), o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, se reuniu com o conselheiro de Segurança Nacional da Coreia do Sul, Wi Sung-lac, e com o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung.
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Wang Yi afirmou que Pequim gostaria de ver a Península Coreana avançar em direção à coexistência pacífica entre Coreia do Norte e Coreia do Sul.
O ministro chinês também atribuiu parte das tensões à política adotada por Washington em relação a Pyongyang. Para Wang Yi, a redução dos conflitos dependeria de medidas capazes de enfrentar as causas das tensões e de uma mudança na postura americana diante do governo norte-coreano.
Os novos lançamentos de mísseis ocorrem, portanto, em um cenário marcado pela combinação de exercícios militares entre Coreia do Sul e Estados Unidos, ameaças e críticas de Pyongyang e tentativas diplomáticas da China para incentivar a retomada das negociações na Península Coreana.







