O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se reuniu neste sábado (5), no Kremlin, em Moscou, com os enviados especiais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, para discutir possíveis caminhos para encerrar a guerra na Ucrânia. O encontro durou cerca de três horas e dez minutos, mas terminou sem o anúncio de um acordo ou de avanços concretos para colocar fim ao conflito iniciado em fevereiro de 2022.

Segundo Yuri Ushakov, assessor de Putin, as negociações foram “substanciais, construtivas, extremamente francas e confidenciais”. A avaliação foi divulgada pelo governo russo após a reunião, que faz parte dos esforços diplomáticos conduzidos pela administração Trump para tentar aproximar Moscou e Kiev.

Antes do início das conversas, Putin afirmou que os representantes norte-americanos teriam de lidar com uma situação considerada difícil. O presidente russo também reconheceu os esforços de Donald Trump para buscar uma solução para o conflito e destacou a importância das iniciativas diplomáticas em andamento.

De acordo com Ushakov, Putin apresentou aos enviados dos Estados Unidos uma avaliação sobre a situação no campo de batalha e falou sobre os avanços obtidos pelas forças russas. O assessor afirmou ainda que o presidente voltou a defender a necessidade de solucionar o que Moscou considera serem as “causas profundas” da guerra.

A Rússia utiliza a expressão “operação militar especial” para se referir à invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. Desde então, os dois países permanecem envolvidos em um conflito que provocou milhares de mortes, deslocamentos de população e impactos econômicos e humanitários em diferentes regiões.

Durante a reunião, Witkoff e Kushner também apresentaram ideias sobre possíveis caminhos para a construção de um acordo de paz. Segundo o Kremlin, os representantes norte-americanos se comprometeram a levar em consideração as avaliações apresentadas por Putin nas próximas conversas que terão em Kiev.

A agenda dos enviados de Trump inclui contatos com autoridades russas e ucranianas. A intenção é buscar uma proposta que possa permitir a retomada das negociações entre os dois lados e estabelecer condições para uma solução considerada duradoura.

Depois do encontro em Moscou, os representantes norte-americanos seguiram para a Ucrânia, onde se reuniriam com o presidente Volodymyr Zelensky e integrantes do governo ucraniano. A expectativa é que as propostas discutidas com Putin sejam apresentadas e avaliadas pelas autoridades de Kiev.

A Ucrânia, entretanto, ainda precisa analisar as condições defendidas durante as conversas entre os enviados dos Estados Unidos e o governo russo. Entre os pontos mais sensíveis de qualquer negociação estão questões relacionadas ao território, ao cessar-fogo e às garantias de segurança para o futuro.

Além das discussões sobre a guerra, Putin e os representantes de Trump trataram de questões econômicas e de possíveis projetos bilaterais entre Rússia e Estados Unidos. Segundo Ushakov, esses assuntos foram discutidos com “considerável nível de detalhe”.

O assessor do Kremlin, porém, não informou quais projetos poderiam ser desenvolvidos nem se houve algum compromisso concreto entre os dois países. As questões econômicas aparecem como uma frente paralela às negociações sobre o conflito e podem fazer parte das discussões diplomáticas entre Moscou e Washington.

Ushakov também afirmou que Putin e Trump continuarão mantendo contato direto e que o trabalho dos enviados especiais norte-americanos terá continuidade. A declaração indica que Washington pretende manter os canais de comunicação abertos com o Kremlin enquanto busca uma alternativa para encerrar a guerra.

Apesar das conversas consideradas positivas pelo governo russo, não houve anúncio de um cessar-fogo ou de qualquer acordo definitivo. Também não foram confirmados avanços concretos sobre a definição de territórios, garantias de segurança ou outros pontos centrais para uma eventual solução do conflito.

A reunião no Kremlin representa mais uma tentativa de reabrir o caminho diplomático entre Rússia e Ucrânia, com participação direta dos Estados Unidos. O resultado das próximas conversas em Kiev deverá indicar se as propostas discutidas com Putin podem servir de base para uma nova rodada de negociações entre os países envolvidos na guerra.

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