Reprodução Reuters/Andrii Nesterenko

O Parlamento da Ucrânia deve votar nesta quinta-feira (16) a indicação de Serhiy Koretskyi para o cargo de primeiro-ministro, em meio a uma ampla reformulação ministerial promovida pelo presidente Volodymyr Zelenskiy. Atual presidente da estatal de petróleo e gás Naftogaz, Koretskyi é o principal cotado para assumir o comando do governo após a aprovação da renúncia de Yulia Svyrydenko, encerrando um mandato de apenas um ano.

A mudança faz parte de uma reorganização da equipe ministerial liderada por Zelenskiy, mas ainda não foi acompanhada de uma explicação detalhada sobre os motivos que levaram à substituição da primeira-ministra. A falta de justificativas tem provocado questionamentos entre parlamentares da oposição, que cobram maior transparência sobre a decisão.

Ao se despedir do cargo, Svyrydenko agradeceu o apoio recebido durante sua gestão e destacou os desafios enfrentados pelo país em meio à guerra com a Rússia. Segundo ela, o próximo governo terá como uma das principais prioridades preparar a Ucrânia para o inverno, período em que há expectativa de novos ataques russos contra a infraestrutura energética e a rede de distribuição de gás.

Apesar do discurso de despedida, opositores afirmam que a troca no comando do governo carece de justificativa. O deputado Oleksiy Honcharenko criticou a decisão e afirmou que não há uma explicação clara para a destituição do gabinete.

A deputada Kira Rudik também demonstrou ceticismo em relação às mudanças e avaliou que a substituição da equipe ministerial dificilmente provocará alterações significativas na condução do governo.

As críticas também refletem o desgaste enfrentado pela administração durante o último ano, marcado por um escândalo de corrupção envolvendo integrantes da alta cúpula do governo. Embora Yulia Svyrydenko não tenha sido citada nas investigações, parlamentares da oposição afirmam que o Executivo não reagiu com firmeza suficiente às denúncias.

O deputado Yaroslav Zhelezniak, do partido Holos, ironizou a gestão ao afirmar que, apesar das promessas de resultados diários, o governo passou a conviver com sucessivos casos de corrupção envolvendo autoridades públicas.

Além da indicação de Serhiy Koretskyi, o presidente Volodymyr Zelenskiy também se reuniu com o ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, alimentando especulações sobre novas mudanças na equipe ministerial.

Uma eventual substituição no comando da Defesa seria considerada estratégica, já que a Ucrânia busca ampliar sua capacidade militar, especialmente no desenvolvimento de operações de longo alcance contra alvos russos, em um conflito que já ultrapassa quatro anos de duração.

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